Não vá se perder por aí...

Os vizinhos novos arranjaram um labrador  

Recém-casados, morando na casa ao lado, onde antes moravam os pais do moço.
Após um seis meses de reforma infernal tirando o meu sossego, chegaram.
Há uns dois ocupam a casa.

Há aproximadamente uma semana, comecei a ouvir a moça no quintal tentando pacientemente ensinar alguma coisa ao seu cachorro.
- Vai, pega! Isso! Agora devolve aqui. Ei! Devolve! Vem aqui! Aonde você vai?
O Scott é adorável, mas labradores filhotes são totalmente irresistíveis. Então a gente perdoa tudo, ingenuamente, e eles rapidamente descobrem que é só fazer cara de pobrezinho e inclinar um pouquinho a cabeça que se safam de qualquer coisa.
- O que é isso?
- Não, aí não!
- Isso não pode que é feio!
- Eeeeei, devolve meu chinelo!
- Que feio!
- O que você tem na boca?
- Não, não, não mastiga isso não!
Mas ela sempre termina com um "ooooouuuuuuuunnnnnnnn"

 

deu saudades de quando meu Scott era filhotinho... 

Minha maluca relação com comida  

Eu tenho um problema de não comer.
Não que eu tenha medo de engordar ou coisa do tipo, acho que é preguiça mesmo, e falta de fome. Eu sei, eu sei, não é nada saudável. Mas de quanta comida precisa uma pessoa? Eu como porções pequenas, eu como o suficiente só, acho que não precisa e exagero. E quando como, como bem, não sou muito fã de coisas gordas, tipo com muitos queijos e tals. Não gostou muito de leite e derivados, e sou vegetaria tem quase uns onze anos.
Acho que tenho uma boa comunicação com meu corpo, sabe, e tenho uma teoria de que o que o corpo precisa ele pede.
E daí por isso eu de vez em quando tenho muitos desejos, tem os raríssimos "eu agora gostaria de um doce", e tem os "vontade de comer... batata" (porque o corpo quer carboidrato), "vontade de comer... fritura" (porque o corpo quer lipídios), "me deu uma vontade de... feijão" (o corpo pede ferro ou proteína).

Daí ontem à noite eu tava meio desanimadinha com umas coisas e me deu vontade de comer cebola (sei lá o q esse corpo queria).
Então fiquei pensando nos deliverys q tem por aqui, em qual coisa gostosa eu poderia comer que tem cebola. Mas daí achei que não merecia um delivery. Eu tenho essa também. Comida é recompensa, gastar dinheiro com um delivery quando tem coisas na geladeira é só se eu estiver merecendo.
Às vezes estou desanimadinha e peço comida boa pra me animar. Penso no que estou com vontade de comer e como, feliz da vida.
Mas as coisas que estavam me desanimando ontem eram consequência de umas cagadas que havia feito, eu estava triste por ter cometido alguns... erros. E aquela tarde eu havia ido na Cobasi ingenuamente, sem prever que encontraria todo um supermercado só de coisas pra animais cheio de tentações. Não estava psicologicamente preparada pra controlar os impulsos consumistas, e acabei gastando um pouco (muito) mais do que calculava. Foram boas compras, encontrei alguns brinquedos que o Scott não será capaz de destruir em dez minutos. Inclusive investi num negócio de nylon que se dizia ultra resistente, e já vi o Scott tentar roer e roer e roer e ele ainda está bem inteirinho. Fiz o estoque pra passar o mês na praia com ele, acho que no fim compensou e que o investimento vai durar bastante. Exceto pela coleira milagrosa que foi o que me levou até lá mas quando cheguei não tinha, acabei comprando a genérica, e a saga com a coleira vocês podem acompanhar no
meu twitter.

Bem, continuando, a vontade era de cebola, mas eu não era mecedora de um delivery gostosinho, então fui até a cozinha refogar uma cebola, e por shoyu e comer no pão.
Mas cheguei na cozinha e não tinha cebola.
Minha casa é muito maluca mesmo, quem a frequenta que sabe. Além de a energia ficar piscando ultimamente, como já contei aqui, a lâmpada da copa é azul, porque o Ricardo foi comprar uma branca fluorescente e acabou se confundindo. E faz meses. Mas é que aqui as coisas ficam esquisitas durante meses, até a gente pensar em tomar uma providênicia. E na casa moramos em cinco além do cachorro, e se você me perguntar quem está aqui nesse momento além de mim, eu juro que não saberia responder.
Quando eu conheci o Tião e começamos a nos falar pela cam, ele passou um tempo achando que eu morava sozinha, porque nunca havia visto ninguém na casa vir falar comigo. E eu conversava com ele na sala, e na copa, e nada; ninguém, nunca.
Ham... outras esquisitices da minha casa... tem os chuveiros, que não podem ser ligados ao mesmo tempo ou o disjuntor cai. E o telefone, aqui, ninguém atende, nem adianta ligar. Nem sei pra que tem esse telefone. Às vezes ele toca quando estou na sala ao lado dele daí atendo. "O Leandro está?" "Não sei. Vou olhar (...) Olha, ninguém respondeu no quarto dele, talvez esteja dormindo, talvez não esteja em casa" "Sabe se ele foi trabalhar?" (o Leandro tem horários malucos de trabalho, é policial rodoviário e daí tem aquela história de turnos doidões) "Não, nem imagino" "Você pode deixar um recado?" "Eu posso anotar aqui, mas não sei quando vou encontrar com ele..." Verdade. Eu às vezes passo uma semana sem ver o sujeito que mora na minha casa. Totalmente inútil atender o telefone por aqui.
O Scott, coitado, deve ficar doido com a falta de rotina. Pra começar tem a ração. Quando ele chegou, eu fiz uma folhinha com os dias dos seis meses seguintes, e daí quando alguém dava o café-da-manhã dele, marcava um X e quando alguém dava a janta, marcava um X. Pra não correr o risco de ele comer duas vezes ou não comer. Mas daí passaram-se os seis meses, e eu acabei que não fiz outro papelzinho, então ninguém nunca sabe se ele comeu ou não. O potinho dele fica próximo à janela do meu quarto, e de vez em quando eu dou a ração e ouço depois o Ricardo dando e a Laís dando. Às vezes não dou e não ouço nada, daí fico sem saber se é porque estou com a janela fechada ou se o cãozinho ficou sem comida.
Ai, e a novidade de ontem (saco!) é que o Scott conseguiu entrar em baixo da minha cama, como fazia quando era pequenininho (lembram?) e quebrou o estrado. Hoje manhã só que vi que a parte onde fica a cabeça afundada. Ele também é responsável por muitas das coisas doidas que há na minha casa, como gavetas eu não abrem por falta de puxador.

Mas então, daí não tinha cebola, porque a minha casa é toda meio maluca. Não tinha cebola mas tinha alcaparras.
Fiquei olhando a despensa, a fruteira, a geladeira... nada que apetecesse... O corpo queria cebola. Ce-bo-la. Ao que me pareceu, ele não queria alcaparras, e definitivamente não estava precisando de laticínios, que é geralmente o refúgio vegetariano dos lanches rápidos.
Daí cabou que não comi.
Mas hoje já fiz café-da-manhã, isso é coisa com que eu tenho me preocupado ultimamente, a gente sempre merece café-da-manhã. Como com orgulho "aê, Bia, parabéns, hein? Não vai ficar em jejum até a hora do almoço! (isso se almoçar)"

Mas então, daí ontem não comi e voltei pro quarto e tava toda meio desanimadinha e facilmente irritável, e fui conversar com o Tião na internet e ele não me mimou como deveria; pelo contrário, fez uma coisa que ele sabe muito bem que me entristece justo no dia do mau humor.
Eu acho que ando meio doida com essa história dele. Não sei se é nervosismo porque ele chega já na quarta, não sei se é porque não o vejo há um tempão e depois de um tempo a gente acaba ficando carente... A verdade é que tem dias que fico maluca, mas a gente até se dá maravilhosamente bem nessas relações virtuais, mas vai saber, o sujeito está vindo pra cá e não sei o quão preparados estamos.
Mas daí ontem foi um dia em que estava meio pra baixo, e ele foi lá e fez uma coisa que sempre me põe maluca, e eu fiquei mais triste, e daí me deu fome e então era merecedora de um delivery; a culpa não hava sido minha, eu era apenas uma... vítima (ai, que horror) e o universo me devia uma compensação.
Mas estava tarde, sabe, e um entregador batendo à porta àquela hora certamente acordaria minha mãe.

Ai que vida mais doida.
De vez em quando, parece que está tudo muito certo e que posso ficar muito bem independentemente de todas as coisas.
De vez em quando parece que vou me afundar nessa bagunça toda, às vezes parece que não tnho o menor controle sobre nada.

Acho que vou sair desse quarto e desse computador, e tomar um banho, e voltar ao controle das coisas.
Hora de tentar por o Scott na coleira mais uma vez, ele vai ver agora quem é que manda.

Postado por Bia.
, às 11h37 | [ ] [ envie esta mensagem ]

Una cueca-cuela e um bolo de la fúba  

Essa deve ter sido na década de trinta.

O pai da minha vó, que já tinha sido prefeito de sua cidade, estava quebrado. Ele então teve a brilhante idéia de revender ovos pra ajudar na renda (mais tarde descobriu que não dava muito lucro, pois boa parte dos ovos quebrava antes que ele os tivesse vendido), tava aceitando qualquer bico.
A irmã da minha vó havia saído com um grã-fino da cidade, e depois do passeio ele a acompanhou até a porta de sua casa, foi quando ela se lembrou da plaquinha na porta "vende-se ovos". Não quis entrar antes que ele fosse embora, e ficou um tempão conversando com ele em frente à porta, tentando cobrir a plaquinha.

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Algum tempo depois, ele montou uma venda.
Minha vó estava ali sentada quando passou um amigo de seu pai que tinha problema de fala. Ele disse qualquer coisa inintelígivel, e minha vó, achando que seria falta de educação pedir para que repetisse, apenas concordou.
Mais tarde seu pai foi brigar com ela por causa do que ela havia dito ao homem, e ela nunca soube o que foi.

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Eu sou uma pessoa que tem muitas crises de soluço, acho que mais que um ser humano normal. Acho que todo mês tenho uma crisezinha, que dura entre 15 e 30 minutos.
Assim, conheço muitas técnicas, mas apenas uma é infalível.

Minha vó certa vez me ensinou um macete que creio ser do-in, um ponto no dedo que você aperta e o soluço para na hora.
Mas é muito arriscada.
No mesmo dia, ensinou-me uma que faz o cocô sair, e eu nunca sei direito qual é qual.

Eu tinha doze anos...  

...e entrava em chats estrangeiros para praticar o inglês.
A internet em casa era a maior novidade, e a gente ficava entrando em sites e em chats só pra se maravilhar.

As pessoas que conversavam em inglês comigo não tinham muita paciência, eu ficava toda hora com os don't understand e os what does it mean e as convesas eram sempre breves, ninguém tinha muita vontade de ficar explicando o significado das palavras pra uma criança.
Daí pra prolongar, eu parei de dizer que não entendia. Ia conversando sem entender nada mesmo, achava que já ajudava.

Daí um dia um cara quis me mandar uma foto.
E então eu descobri que cock não é apenas galo.

Um sábado produtivo. Abstrato, mas falta poesia.  

A gente é realmente muito solitário.
Porque o amor que sentimos, e a conexão que às vezes somos capazes de sentir com as coisas, não é mensurável e nem material. E tudo o que sabemos com profundidade sobre as coisas, não é concreto a ponto de ser possível transformar em palavras para que seja compartilhável.
E as coisas compartilhadas, as que realmente importam, necessitam de uma pessoa aberta a recebê-las. As pessoas têm ouvidos e olhos mas de nada adianta se tentarem receber de forma material.

Sinto-me em harmonia com o mundo, mas não é coisa possível de ensinar. As trocas são somente sinceras quando trocas de amor, troca de energia
Não compartilha-se conclusões, compartilha-se experiências. As conclusões cada um tira a própria, com base nas próprias referências, no próprio repertório, e com base nas próprias questões.
Apropriamo-nos das experiencias de outros pra responder a questões que apenas interessam a nós.
E às vezes temos experiências totalmente diferentes e chegamos às mesmas conclusões e às mesmas respostas. Essa conexão é a mais gostosa.

Raramente, bem raramente, encontramos por aí pessoas que viram coisas diferentes e chegaram às mesmas conclusões. Isso a gente não sabe conversando (porque afinal, como disse, não é coisa que se põe em palavras). Isso é coisa que a gente sabe sentindo. Não é necesária uma presença física.
A gente sabe por algum detalhe qualquer que para qualquer pessoa, que não dê uma importância irracional a alguma coisa que não sei bem o que é, passa desapercebido.

Muito em sintonia com as coisas. Todas.
É engraçada essa harmonia que sinto com o mundo.
Há pessoas que fogem atrás da natureza e dessa harmonia, não sinto tal necessidade.
Sinto-me conectada com absolutamente tudo, onde quer que esteja. Esses prédios e essas paredes a minha volta, são também parte de um todo. E tudo o que está nesse mundo.. perto ou longe... me pertence. E a tudo isso eu pertenço. Às vezes parece que ninguém entende comoe stamos ligados, todos, tudo.

Essa troca de energia... A gente não precisa absorver toda energia. Sabendo que fazemos parte do mundo, e que estamos trocando com o sujeito estressado do carro ao lado, podemos dar a ele, ao invés de receber.
Sinto-me parte ativa de tudo o que acontece.
Sinto que todas as coisas, até as erradas, estão onde deveriam.


Faltou poesia.
Mantenham pensamento concreto ao ler.
Palavras são tão limitantes.

ou, uau, passamos dos dez mil  

Também, em quase cinco anos, não é grande coisa...
Se bem q acho q os últimos seis (mil, claro) foram no último ano e meio.

Bem, de qualquer forma, é um marco.

- Parabéns, Bia.
- Obrigada, parabéns a vocês Bias também.
- Obrigada.
- Obrigada.

aimeudeus, tá piscando tudo!  

Acho que a estrutura elétrica dessa casa, construída na década de 60, não está preparada para computadores, secador, chapinha, microondas, freezer, geladeira, chuveiro e essas coisas que às vezes são ligadas ao mesmo tempo numa casa em que moram cinco pessoas. Ou então ficou velha mesmo, porque agora não tá aguentando nem cinco lâmpadas acesas simultaneamente.

Acho que logo mais vou ficar no escuro.
Ou vai acontecer um incêndio, vamos torcer pelo primeiro.

Eu hoje fiz duas provas.  

Marketing pessoal e Gestão de custos. Em dupla em com consulta, as duas. =P
Eu logo terei o tal diploma, e afinal de contas, não é esse o objetivo de todo curso superior?

Para quem ainda não entendeu:
- eu não trabalho na frente do computador. Grande excessão entre todos os meus amigos, eu e os que são professores
- Eu conheço pessoas novas quase todos os dias, muitas vezes ouço coisas íntimas e pessoais de gente que precisa só de alguém que as ouça
- Eu também as deixo mais bonitas, e é gratificante fazer uma pessoa feliz em tão pouco tempo. Isso é coisa importante pra maioria das pessoas, e muitas vezes uma pessoa que se sente bem consigo e bonita, muda totalmente a postura diante da vida e das adversidades. Sou eu quem faz isso por elas
- Eu não tenho um chefe
- Eu não tenho uma rotina. Eu faço meu horário, e cada dia estou em um lugar fazendo um trabalho diferente. Acredito que dentro de poucos anos eu só precise trabalhar umas três vezes por semana.

Nunca imaginei que poderia existir coisa assim.
É que trabalhar com cabelo e maquiagem não é coisa que passa pela cabeça da gente quando estamos prestando vestibular ou coisa do tipo. Demorei pra descobrir, mas pelo visto encontrei.
Sinto prazer em TODOS os trabalhos que faço. E quando feitos com amor, o resultado...

 

Há pessoas que reclamam da falta de tempo. Há pessoas que reclamam que não têm o que fazer.
Há pessoas que reclamam de seus trabalhos, de seus namorados, de suas vidas sedentárias, da cidade em que vivem, dos amigos que têm ou não têm, do bar a que foram, dos sapatos que machucam seus pés, do fim-de-semana que não aproveitaram, do programa ruim que estão assistindo na TV, da festa lotada, ou da festa vazia, da faculdade que fazem, da desorganização em que vivem, e, bem, você sabe do que mais.

Hé pessoas que reclamam do cigarro que estão fumando, como se não fosse elas que o tivessem acendido e tragado.


A melhor coisa que poderia estar fazendo nesse momento é lendo esse texto em meu blog?
Não é uma pergunta retórica. A nossa vida não precisa ser feita apenas de momentos incríveis. Mas precisamos amar tudo o que vivemos, e todas as escolhas que fazemos.

As pessoas esquecem que são livres.

Às vezes agem como se não tivessem escolhido cada passo que deram, cada coisa que fizeram, que fazem e que farão. Os caminhos possíveis são infinitos, não entendo como há tanta gente insatisfeita.

Têm a escolha de olhar seu passado com arrependimento ou com amor. Podem acreditar que são vítimas, ou saber que só não terão escolhas se assim desejarem.

Eu não sei por que as pessoas reclamam de onde estão ou do que fazem, se o fazem porque acreditam ser o melhor.
Precisamos amar tudo o que vivemos e todas as escolhas que fazemos. 

 

Cada vez mais certa de que sou muito feliz.
E totalmente livre. Como qualquer pessoa.

Agora sim acredito que vou me formar.  

E não é porque a noiva tropicalista que apresentei em meu TCC foi sucesso, e nem porque conferi minhas faltas ontem e descobri que por alguma sorte da vida os professores deram presença coletiva na maioria dos dias em que faltei.

É porque hoje matei os quatro semestres de atividades complementares pendentes.

Eu sabia que teria de ter 160 horas de estágio em cada semestre. E, contem aí, na certa não deu nem próximo.

Daí então, há uns meses, vieram com essa: trabalho seria apenas 32 horas em cada semestre, o resto teria que ser preenchido com cursos, congressos, seminários.... Há! Eu mal assisti duas horas de Beauty Fair, para a qual ganhei convite, imaginem se teria 128 horas disso...

Acabei a prova de hoje (na qual fui bem apenas o suficiente para passar) e quando desci estava aquela bagunça nas mesinhas, todo mundo com certificados em branco, xerocando, distribuindo... peguei uns seis. Eu poderia completar com as horas que fosse e tals.
A coordenadora mal humorada (que havia tido ataque aquela manhã - tipo falta de ar e essas coisas - de tanto que se estressa e se sobrecarrega) desceria às 11h30 para dar visto nos certificados. O pessoal que correu atrás disso com a antecedência devida estava revoltado porque ela já havia recusado um monte, e eu incitava uma revolta (iria ficar quietinha, claro, que argumento teria com aquele monte de certificado falso?).
Então, olhando aquele certificado de curso de depilação (até parece, gente! A sala inteira fez curso de depilação?!?) resolvi que só iria ouvir o que era pra ser feito bem quietinha e ao chegar em casa trataria de preencher os certificados, sair ligando pras pessoas com quem trabalhei pra pegar os certificados de horas de estágio, e completar as tais 640 horas (ainda bem que o curso só tem dois anos).
Ela nos levou a um laboratório de computadores, mandou que cada um abrisse a sua página de atividades complementares e começasse, e daí ela iria olhar uma a uma e aprovar cada semestre para que pudéssemos passar para o seguinte.

Fui a ela envergonhada (afinal de contas, o pessoal está trabalhando nisso faz dois anos e o prazo para entrega é amanhã). "Letícia, acho que não vou me formar. Não fiz curso nenhum e não tenho as horas. Até trabalhei bastante, mas só pode 32 horas por semestre... não tenho com que completar as outras..."
Claro, né, gente?
Eu sou um fiasco mentindo, como é que ia apresentar certificado de curso de megahair???
Daí ela mandou que eu listasse tudo o que havia feito e completasse o primeiro semestre. "Mas sabe... não tenho nada no primeiro semestre...". "Não tem problema, preencha com coisas dos semestres seguintes. Vai fazendo na ordem, daí quando chegar no quarto vai ficar faltando e a gente ainda terá um dia pra resolver"

Daí fui, vasculhei a memória, virei as tripas do avesso e comecei com os fáceis.
Então descobri que além da categoria "trabalhos", havia uma categoria "estágios", que não tinha limite de horas. E que eu poderia escrever sobre livros que eu li e filmes que assisti e qualquer coisa que me viesse na cabeça.
Então me empolguei e às 15 horas, quando minha carona precisou ir embora e eu lembrei que tinha que estar em casa antes das 16h pra pagar a faxineira que veio hoje, eu tinha preenchido exatas 638 horas sem ter mentido nadinha.
Aliás, uma mentirinha só.
O filme As Horas (irônico, não?) eu só pude ver até metade. Mas já foi suficiente para escrever o que achei da maquiagem e prótese que a Nicole Kidman usou nesse filme. Fiu.... mais duas horas apenas, que vou preencher com calma, falando da maquiagem de Brad Pitt e Cate Blanchet nO Curioso Caso de Benjamin Button.
E eu nem precisei mostrar certificado nenhum nem nada, ela notou que eu não estava inventando, e até ficou toda interessada em alguns dos trabalhos legais que tenho feito, feliz por eu estar conseguindo me acertar assim por conta.


Nem acredito.

Ser bobona assim às vezes nem é problema.
Às vezes é.

No semestre passado, a professora de dermatologia passou um trabalho de estatística. "Vocês devem pegar uma amostra de ao menos 100 clientes no seu salão e relatar os casos de problemas de couro cabeludo, quantos têm caspa, queda, dermatite..." dali uns dias: "Professora, eu não trabalho em nenhum salão..." e ela: "Semestre passado todo mundo fez, mesmo quem não trabalhava em salão. Peça a alguém que tem que faça essa estatísca para você". Ou, bem, todas as pessoas que eu conheço que têm salão estudam na minha sala e fariam a estatística para elas mesmas. "todo  mundo fez", essa mulher estava implorando para que eu inventasse alguma coisa.
Mas, sabe, ela esta fazendo um estudo grande sobre isso, e iria depois juntar as estatísticas e tals... eu não queria atrapalhar... mesmo que metade da sala tivesse inventado e a estatística já estivesse toda errada.. eu nao poderia chegar lá na frente "ah, bem, fui no salão ao lado de casa e..."

Quase peguei exame porque não menti pra professora.
Tive que ir superbem nas provas e no trabalho seguinte para ficar com 6,5 de média, porque essa estatística valia uns dois pontos. Acho que às vezes o crime compensa.


Mas, no fim da história, passei em dermatologia, encerrei as atividades complementares.... Agora eu só tenho que fazer mais 7 provas nos próximos 3 dias de aula e ir bem em todas. O difícil já passou. E, bem, em uma semana estarei formada.


E hoje vou celebrar. A noite vai ser boa.

Começou junho...  

...que é o meu mês preferido.

Faz esse friozinho que queima a gente, mas os dias são sempre claros de de céu azul.
E também tem festa junina, né, que é a minha preferida. Gosto de cerveja no frio. E de chapéu de palha, e de milhões de barraquinhas de comidas quentinhas.

 

Sim, post meio repetido, mas é porque junho tem todo ano.
E não custa lembrar de aproveitar.

Vou vestir meu cachecol e por os óculos escuros, e tirar o máximo desse mês.

10 dias!  

Há um tempo atrás, alguns amigos metacomentando o twitter "matou meu blog". No meu caso, um pouco verdade só. Atualizo mais porque é mais pequenininho, acho q se não tivesse, não escreveria mais aqui do que atualmente. De qualquer forma, pus o quadradinho ali à direitinha mostrando o q tenho escrito por lá.

Há um ano atrás eu entrava e escrevia tudo, né?
Ficava contando das crises e das festas e das coisas como se fosse morrer amanhã.
Hoje eu fico achando que vou viver pra sempre e fico adiando.
Faz dez dias que não posto, mas faz mais de mês que só tenho enrolado por aqui.
E pior é que as coisas vão acontecendo, e eu monto textos na minha cabeça, daí conecto e não escrevo e eles morrem. Quero voltar.

Estou com esse cara, que acho que não gosta muito que eu escreva sobre a gente, mas sabe o quê? A-ZAR-O-DE-LE. Vou escrever o que eu quiser, e ser até maldosinha, e distorcer as coisas a meu favor, como seres humanos normais quando contam histórias de seus pontos de vista. Não é só por isso que tenho escrito menos também. Esse teclado do note é muito duro, daí dá preguiça de escrever. Sério, pode reparar. Desde o fim de fevereiro que estou com ele, a frequência dos posts diminui batante.
 Mas é algo com o qual tenho que me acostumar. Vou dar um resuminho básico aqui de como anda a vida, e espero voltar a escrever que nem uma maluca.

Tenho trabalhado bastante, divertido.
Estou com aquele cara de Porto Alegre que conheci no orkut e com quem só encontrei uma vez. Divertido também, mas... né? De vez em quando a gente fica com vontade de encontrar e não tem como. Vou escrever sobre essas duas coisas então.

No trabalho muito amor, no amor muito trabalho. E amor.

Ah é. E voltei a fumar.
É esquisito, sabe, não foi difícil ficar sem, mas... é tão bom... Vou parar de novo no fim desse mês, dessa vez pra sempre. Deixa só eu aproveitar mais um mesinho :P

No trabalho

Tem aparecido bastante coisa, sabe.
Eu gostaria de passar a vida assim, free lancer, trabalhando com desfiles e fotos e tals, e como cabeleireira na casa das pessoas.
Trabalhar em salão é chato demais, aquela correria. As pessoas têm gostado muito do que tenho feito em seus cabelos, e sei que é porque fazemos em casa. Aí dá tempo de conversar, entender o que a pessoa quer, fazer com calma, com carinho... Em salão, afe!, não dá tempo de nada, é aquela bagunça. E fora que pôxa... acordar cedo todos os dias, trabalhar no mesmo lugar de segunda a sábado, com as mesmas pessoas... não quero. Passei a vida toda lutando com esse negócio de acordar cedo, e depois que me formar, não quero rotina nunca mais.

Eu tinha pensado em passar um tempo viajando agora (lembram?), mas resolvi ficar. Agora estão começando a aparecer mais contatos, clientes regulares, que quero cultivar para chegar no fim do ano com alguma estabilidade já, ou tanto quanto é possível sem um emprego fixo.

Eu tinha pensado que não conseguiria, sabe, porque... olha pra mim.
Toda pequena e tímida, como é que vou sair por aí na cara de pau me vendendo?
Mas pelo visto é só a gente fazer um bom trabalho que os clientes vêm. Tou feliz com isso. Semana passada, fiz uma modelo pra um trabalho de TCC de umas alunas de moda da Anhembi-Morumbi, que haviam visto as três modelos que fiz na semana anterior, gostaram e foram me procurar. Bacana, né?
E amanhã dois cortes de duas meninas diferentes que eu nunca vi que me ligaram "Você que fez o cabelo da Fulana? Eu vi e adorei, e ela me deu seu telefone". Uhu!

Os piores são os antigos. Da época q eu só cobrava caixinha e trabalhava esporadicamente.
Vou ter que dar uns puxões de orelha, semana passada eu estava com todos os dias agendados, e tinha gente q ligava pra marcar e teve que esperar uma semana. Daí as pessoas que não entenderam ainda que eu agora tenho tipo horários, cancelavam em cima da hora, não apareciam... Ôh, gente, se não vai poder, avisa, que eu marco com outro! É meu trabalho, eu perco dinheiro quando passo a noite à toa esperando!

(hihi, bacana, né? Acho q no fim do ano eu vou sim ter bastantes clientes. Uhu!)

 

No relacionamento

Meio difícil por a gente estar longe, mas meio fácil por a gente se dar bem.
Problemas o tempo todo, eu fico doida e insegura e paranóica com essa distância, mas - e eu acho isso uma das coisas mais importantes na relação de um casal - temos resolvido muito bem. Pra dizer a verdade, acho que não teremos quase diferenças quando pessoalmente, mas isso é difícil de saber, né? Ou não. Quão arriscado é fazer planos com uma pessoa com quem você só conversa pela internet? Eu tenho sempre essa dúvida...
Porque assim: atualmente ele é a pessoa com quem mais converso de todas. Nos falamos pela cam no mínimo umas duas horas toda noite, que dependendo do dia da semana, pode se extender pra cinco, seis... é que agora eu inventei uma regrinha que me obriga a desligar o note às 23h entre domingo e quarta. Porque a gente liga e começa a falar e quando vai ver são quatro da manhã e eu tenho que levantar às seis pra faculdade. Então nos dias de aula, eu tenho que dormir, é essa a regra.
E se por um lado conversamos muito, por outro, é sempre ali, no computador, com os dois disponíveis, cada um em seu quarto.... a gente não sai junto, não conversa com outras pessoas (a não ser em chats de msn, quando chamo amigos meus ou ele amigos dele e daí esse é nosso evento social.. hihi), não tem nada que possa atrapalhar, sabe?
Nós estamos muito muito íntimos, acho que nos conhecemos muito bem, nos damos muito bem, ficamos muito à vontade um com o outro... Mas ele é uma pessoinha feita de luz na minha tela LCD. E geralmente uma pessoinha embaçada (câmera ruim q ele tem, viu?).

Ele virá pra cá, creio q dia 24, e devemos passar mais ou menos um mês. Vamos ver.
Não me preocupa que não seja bom, tenho certeza que será uma delícia. A vez que nos vimos passamos menos de um dia juntos e quando ele foi embora parecia que nos conhecíamos fazia anos.
Me preocupa como vou ficar com saudades depois que ele for. Aiai, veremos. Sou muito ansiosa e meio imediatista para relacionamentos à distância...

 

Na vida virtual

Não era um tema previsto, mas lembrei que esses dias a Nina teve aqui pra cortar o cabelo, tomar uma breja e por as idéias em ordem.
Aí avisei no twitter "postaremos as pérolas se lembrarmos de fazê-lo". (sim, twitter de novo) E falamos sobre isso, twitter, webcams, blogs, orkuts...

É coisa que me choca, sabe?
Ao blog e orkut estou mais acostumada, parece coisa mais estável, blog é tipo jornal, a gente escreve um texto, fala das coisas...
Agora twitter é muito dinâmico, gente do céu! A idéia é você falar o tempo todo o que está fazendo e onde está, para que as pessoas possam seguí-lo por ali. O espaço para texto é pequeno, para que você possa enviar por sms. Isso não é coisa ruim, sabe, esse contato e essa proximidade com os amigos.
Outro dia tava numa festa e uma menina tirou alguma coisa da bolsa (não sei se era um celular, um palm...) e foi olhar numa função que o gps dela tinha onde estava o amigo. Tipo, umas três ou quatro pessoas que tinham gps e tinham essa função, sempre podem olhar exatamante onde está a outra. Isso não é um pouco... esquisito? "Ah, Bia, mas acho que você pode desabilitar quando não quiser ser encontrado". Claro que pode, também pode deixar em casa ou amarrar na coleira do seu cachorro para o caso de ele sumir. O que me deixa chocada é isso existir. Não que seja ruim. Mas há quinze anos atrás era impensável. Quando você deixava sua casa, ficava incomunicável. A não ser que tivesse dado para alguém o número do telefone de onde estaria. Eu lembro quando criança, eu tinha o telefone da casa do pai e da mãe de Fulano, da casa da da vó de Cicrana...
Hoje a gente tem essa necessidade (e eu tenho também) de poder entrar em contato com qualquer pessoa a qualquer hora, e de ser encontrado... Certa vez passei a noite na casa da minha vó e a tarde do dia seguinte; ela ia viajar e eu a ajudei a arrumar a mala, deixei os velhinhos prontos... E a internet lá não estava funcionando (Speedy, né?) e a bateria do meu celular havia acabado logo que cheguei.
Quando cheguei em casa, o que tinha de email "Biaaa cadê você?", mensagem no celular... era incrível (fiquei me sentindo a mais requisitada). A gente se desespera, né, se passa mais de duas horas tentando entrar em contato com alguma pessoa.

E esse negócio da cam?
Gente do céu, que loucura! Eu ligo e cá está a cabeça do menino, mais ou menos em tamanho real, na minha frente, falando comigo e me vendo.
Eu deito aqui e deixo o note ao lado sobre a cama, e cá está o menino deitado ao meu lado batendo papo. Claro que não podemos nos tocar ou coisa assim, o que faz certa falta (vocês não sabem quantos problemas que poderiam ser resolvidos com um abraço ficam enormes e levam horar pra se resolver apenas com palavras!). Ele é tipo um holograma. Ok, em duas dimensões. Sim, ele pode ser apenas um vídeo na tela do meu computador, mas tentem me acompanhar aqui. O menino está em Porto Alegre e está no meu quarto!!! E daí a Nina comentou que eu também, estou aqui e no quarto dele. EU ÀS VEZES ESTOU NO MEU QUARTO E EM PORTO ALEGRE!!! Sim, eu vejo a mãe dele passar, a cumprimeno, ouço o telefone tocar, o cachorro do vizinho latir, a TV ligada na sala da casa dele... Eu estou lá. Isso é tipo... o futuro, ou coisa assim.
Uma vez sugeri brincando para um amigo meu que mora em LA que comprássemos umas cervejas e ficássemos bebendo com a cam ligada. E sabe... parece não havem mais tanta diferença entre fazer isso, ou ele vir até a minha casa tomar uma cerveja.

O mundo ficou bem pequeno mesmo, demorei pra entender o que queriam dizer com isso. Assim... entender, entender.

E no final, não twittamos pérola nenhuma.
Não queríamos nenhum intruso da vizinhança, ou da Antártida, sabendo o que é conversado na minha casa.
Que medo.