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domingo à noite,e eu com essa sensação de domingo à noite, que há tempos não sentia. Muitas pessoas associam ao Fastão, e eu sempre achei que essa sensação estivesse diretamente ligada à segunda-feira. Mas agora acho que me sinto assim por causa do sábado. Quando morava em SP, e saía bastante, eu sempre me sentia assim. Mas aqui em BH, que quase nunca saio sábado à noite, fazia tempo. Acho que é porque quando a gente está de ressaca, o nosso domingo começa tarde. E como tem que levantar cedo na segunda, o domingo termina cedo. Parece um desperdício de dia! Estou arrumando o armário e fazendo uma janta, pra ver se esse domingo vai valer alguma coisa... Mas o que dá vontade mesmo é de tomar um comprimido pra dormir até amanhã, e acordar sem essa sensação nostálgica e estranha de estar aqui sentada vendo o tempo passar e não conseguir segurá-lo....cada vez mais longe da academiaEssa noite de sábado foi produtiva. Mais uma vez sobre cabeleireiro. E sobre outras coisas. Comentei que o trabalho pode ser apenas uma fonte de renda para a realização dos sonhos. E responderam que se a pessoa quer grana, vá fazer isso, ou aquilo ou ser cabeleireiro (como exemplo de trabalhos que não são importantes pra "evolução" da nossa sociedade). Aí eu pensei que o nosso papel na soiedade não precisa estar diretamente ligado ao nosso trabalho. Nós somos ensinados a produzir o que é concreto, mostrar resultado é o que importa. E enquanto meia dúzia de intelectuais estão discutindo sobre a desigualdade social, eu estou conversando com uma pessoa que ainda não se deu conta de que merece tanto quanto a personagem da novela das oito. Não faz tanta diferença no todo, mas de um em um... Aí eu imaginei uma esfera. Uma bola de futebol, exemplo clássico. Se quisermos expandir a bola, não adianta aumentar o couro. Tem que encher de ar, aumentar a pressão interna. Não adianta aquele que é o couro ficar querendo arranjar mais espaço pro ar que está lá dentro se o interior continuar ali apertadinho. As pessoas têm que saber que merecem espaço, pra aumentar a pressão e quererem mais. Aí eu descobri. Minha contribuição pra esse mundo é escutar. E fazer com que as pessoas não se sintam diminuídas por terem idéias diferentes, e com que elas saibam que não merecem menos que ninguém. Acho que todas as minhas relações foram assim, eu sempre incentivei e sempre me orgulhei ao ver os amigos crescendo. Eu não vou mudar o mundo, mas vou dar pezinho se alguém precisar. Apareci de novo.E eu sumi de novo. Estive fazendo umas descobertas importantes pra minha vida. Descobri que para mim, a dignidade de cursos difíceis em boas universidades não me fará feliz como eu pensava. Descobri que não sou o tipo que curte se matar de estudar. Da carreira acadêmica eu desesti quando larguei a matemática. E a psicologia está por um fio agora que sei que quero ser cabeleireira. Demorou um tempo pra eu me acostumar com a idéia, eu tive que ultrapassar umas barreiras que eu mesma havia imposto, e quebrar uns padrões que eu mesma tinha. Mas vejo que está valendo a pena. Algumas pessoas que eu conheço se surpreenderam e se chatearam com isso, e tive que ouvir coisas do tipo "Cabeleireiro? Que feio.. Por que vc não dá aula de inglês se está querendo começar a trabalhar?" ou "Cabeleireiro? Mas você é tão inteligente...". Coisas que eu mesma me diria há um ou dois anos atrás, antes de descobrir que a sua vocação não precisa estar ligada ao que as pessoas esperam de você. Quem me conhece bem ficou feliz por mim. Quem me conhece bem sabe que eu vou me realizar criando e cuidando dos outros. Afinal, o meu novo ofício é uma mistura de matemática e psicologia informais.... |
Meu perfilMulher de 25 anos inconstante, impulsiva, racional e passional.Analisa e teoriza. Mora em São Paulo e até que gosta. Humor do diaVotaçãoDê uma nota para meu blogIndicaçãoIndique esse BlogRSSVisitas
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