Não vá se perder por aí...

Acho que cheguei no limite  

Atingi o limite de loucura a que uma pessoa sã pode chegar.

Sã, sim, sou sã. Não tenho nenhum caso clínico de loucura nem nada. Mas ando com sérios problemas, vocês não imaginam. As pessoas pra quem conto o que tenho feito e como tenho me sentido ficam meio horrizadas. Sério. Cheguei. Isso está atrapalhando minha vida e preciso me tratar. Assim, com um especialista. Viajar às vezes funciona, mas é temporário. Quero ser uma pessoa normal agora.

 

Ah, mudando de assunto, ontem eu briguei. Briguei, não, discuti. Com o sujeito desse post, lembram dele? Eu descobri por que que nunca brigo com ninguém. É porque eu não tenho motivo mesmo. Deve haver uma meia dúzia de gente nesse mundo de quem não gosto. Na verdade, estou chutando alto. Que eu me lembre no momento é só ele mesmo. Mas eu consegui engulir e tratá-lo bem por quase um ano, sem manifestar o quanto o acho meio insuportável. Mas ontem teve uma reuniãozinha com um pessoal da minha sala, e após umas quatro cervejas a caminho do banheiro, passei por ele e escutei: "Ele fala 'seje', vocês acreditam nisso?". Aí parei.

Gente, vocês não acreditam no que ele falou. E eu não acredito no que eu falei! Sinto-me feliz por ter descoberto: não é que eu engulo as coisas. É que aceito com sinceridade algumas diferenças. Agora: "eu sou separatista", "eu só me relaciono com pessoas de alto nível social e cultural", "acho que no mundo cada um tem seu papel. Nós precisamos de médicos e advogados, mas também de lixeiros e faixineiras" e coisas do tipo que me deixaram meio nervosa. Terminei com um (antes de mijar nas calças): "Uma pena pra você. Tenho certeza que perde muito por achar que ninguém tem nada a te ensinar."

Ai, ele é tão... pedante e... arrogante e.. Argh! Acho que é uma das pessoas mais insuportáveis que já conheci...

E só pra constar: ele também não tem um português corretíssimo. E seria uma delícia corrigí-lo ontem, mas eu estaria sendo como ele se o fizesse.

Mas enfim... passou. A crise da última semana, de achar que tinha que brigar com alguém. Não briguei, como já disse, discutimos. Sem palavrões e em tom de voz normal. Mas não precisei nem me forçar a isso. Acho que quando eu vejo alguma coisa errada, manifesto-me sim. Bom saber.

Postado por Bia.
, às 19h55 | [ ] [ envie esta mensagem ]

Ontem fui passear.  

Ia no bichopp, na USP, mas tava muito cheio e eu passei da idade. A fila tava imensa.

Daí fiquei passeando por outras festinhas que tavam acontecendo. Mas estavam meio desfalcadas, acho q por causa da tal festa gigante.

Diverti-me tanto... Saí com a Lígia (e depois a Erika juntou-se a nós) parando todos os japoneses que encontrávamos: "Japa!!!! Tudo bom? Há quanto tempo! Como assim vc não lembra da gente??? Te conheci numa festa da FAU, faz algum tempo já... Tenho certeza q era vc, não acredito q vc não lembra!!!" e ir embora brava com o japa.

Tá, meio besta.

E também fomos no C.A. da biologia porque na porta do banheiro tinha um cartaz, acho q pedindo p não jogar coisas na privada, e dizia que "foram encontrados uma calcinha, dois copos, um sei-lá-o-quê e objetos aquáticos não identificados. Retirar no C.A." E lá fomos. "Tinha um cartaz no banheiro... vocês estão com a calcinha aí?" Hihihihihi.
No começo, ele não acreditou, mas fomos convincentes.
- Cês não tão falando sério, né?
- Mas vcs acharam ou não? (e uma pra outra) Desencana, aquele cartaz devia ser só de zoeira. Eles não tão com ela.
- Não, a gente achou, mas...
- Não tá aí? O q fizeram com a calcinha?
- Ai, não sei, acho q jogaram fora.
- Ah, desencana, vamos embora.

Meio besta também.

Mas as festas estavam chatas e vazias, a gente tinha que dar um jeito de se divertir...

 

Eu deveria ter brigado com alguém, tinha esquecido que resolvi brigar com as pessoas. Eu deveria ter parado um estranho e brigado com ele. Mas ontem estava tão bem humorada que nem deu vontade.

...e oooutro sobre o Scott  

Conversando por aí descobri que tem um monte de gente que odeia essa história de eu estar apaixonada pelo meu cachorro.

Realmente, é meio ridículo.

Mas não dá pra ficar muito tempo sem escrever sobre ele, porque ele ocupa uma parte imensa da minha vida.

Segunda-feira começou a passear. Cocô na rua ele não faz, já escolheu o cantinho de defecar (que é bem em frente ao portão - o pior lugar possível) e não há quem o faça mudar. Nem levo mais saquinhos.
Mas é bom porque ele fica supercansado depois e não fica me chamando quando tenho mais o que fazer.

Ele é bonitinho demais: tudo parece a coisa mais interessante do mundo. Passear com o Scott é como passear com o meu vô: a cada cinco metros, empaca diante de uma bobagem que considera fenomenal. A diferença é que quando eu chamo o Scott, ele vem (o comando é um mineiro "vaum" dito com voz suave).

O Luli havia dito: "esse Scott vai fazer maravilhas pela sua vida social quando vcs começarem a passear. Um monte de gente vai vir pedir o número do telefone do cachorrinho". Achei meio ridículo, mas sabe, ele tinha razão. Não exatamente.

Ao começar a passear com ele, descobri que existe todo um mundo do qual eu não participava. Eu vou andando com ele, e encontrando outros passeadores de cães por aí, conversando com pessoas que eu nunca havia visto... Ontem, pela primeira vez, conversei com meu vizinho de parede e seus dois filhinhos. Ele obviamente já sabia que eu tenho um cão (afinal de contas, o Scott não é mudo) e eu já sabia que ele tinha dois filhos (pois as crianças também falam). Quando estava chegando em casa, eles também estavam chegando. E o Scott é louco com crianças, e as crianças são loucas com filhotes.

Tem sido bacana, estou conhecendo a vizinhança toda em apenas uma semana.

Porque quando estou andando sozinha, indo até a padaria, o supermercado ou ao ponto de ônibus, vou sempre rápido, não páro por aí pra cheirar as árvores nem nada. E o Scott vai andando devagarzinho, curioso com tudo. Daí eu fico conversando com a pessoa que está próxima.
Pelo visto não vou arranjar nenhum namorado assim, as pessoas na rua são um pouco mais velhas. Mas estou fazendo vários amigos e amigas tiozinhos. Moro praticamente no subúrbio.

E agora quando saio de casa pra um lugar pertinho, tipo comprar cigarros, posso levá-lo comigo, ao invés de largá-lo chorando no portão.

 

Desculpa, gente.
Mas eu passo umas duas horas do meu dia com esse animal. Não tem como evitar.

A nova brigona  

Acho que sou uma pessoa muito calma. MUITO. O volume da minha voz não se altera, a não ser que eu esteja tentando conversar num lugar que tem o som muito alto.

Creio que isso seja herança do meu último namoro, que foi com a pessoa mais calma desse mundo. Sempre tentávamos resolver as coisas de forma racional, razoável e civilizada.
Mas sabe... esse mundo não é assim civilizado, e algumas pessoas merecem ouvir palavrões e tals.

Sábado fui tomar cerveja com um amigo que diz acreditar que a maioria das pessoas é má. Alguém mais acha isso? Será que eu que sou ingênua ou ele que é cético?
Eu acho que TODAS as pessoas do mundo são boazinhas. Ou ao menos se consideram boazinhas. Ninguém faz nada só porque é mau, tipo "óh, sou mau, vou destruir o mundo".
O que todo mundo tem é uma boa desculpa pro egoísmo. A pior é: "as pessoas fazem isso comigo o tempo todo, então eu também posso fazer isso com ele". Acho q essa é a única que não engulo e que não me enrola.

De resto, caio em todas.
O pessoal me sacaneia o tempo todo, sempre tem uma boa desculpa para fazê-lo e eu sempre acho que faz sentido.

Mas eu vou inverter a tal desculpa iningulível (eu não escrevi errado, leia de novo) para uma que faz sentido: "se eu não faço isso com os outros, ninguém pode fazer comigo".

A última vez que briguei, briguei mesmo, de apontar dedo na cara e essas coisas, foi em outubro (até lembro, de tão raro que é). Porque sacanearam um sujeito que não merecia. Veja só, nem pra brigar por mim.

E daí agora eu vou brigar.

Essa é pra vocês que me sacanearam. E estão lendo isso sem nem fazer idéia que me machucaram porque eu fiquei toda: "oh, ok, tudo bem"

Vai tomar no cu.

Tomar no cu não, vai pra puta que o pariu, seu cuzão (no aumentativo tem mais impacto, né?). Perdeu. Aliás, perdeu não. Se fodeu.

Tá, mentira, não foi pra ninguém específico.
Nem eu consigo me levar a sério quando finjo que estou brava.

Não é que eu não fique brava ou com raiva, eu fico. E o sentimento que dá lembra Irreversível: vontade de esmagar a cara do sujeito batendo nela com um extintor.
As pessoas geralmente não fazem o que a gente espera, mas... você chegar e dar uma bronca, o que pode resolver? Tem hora que nem conversa resolve! Pra alguns, a única solução é o homicídio mesmo...

Mas preciso aprender a brigar, porque tem um povo que merece. E porque se a pessoa não sabe que me desagradou, como é que vai saber que tem que fazer diferente?

Aposto que se eu fosse mais reclamona, conseguiria mais coisas.

Até tentei brigar com um sujeito hoje, mas acho que não fui muito ameaçadora nem nada. Frustrante. Eu devia tê-lo mandado à merda e desligado, só pra ser brigona.

Acontece que eu brigando deve ser mais ou menos assim:
"Não é que eu esteja com vontade de brigar... Mas você me deixou brava aquele dia, e eu nem falei nada, mas talvez deva manifestar isso, né? Acho que você errou. E... Não posso falar que vou te quebrar a cara porque sou muito pequena. Mas tenho uns amigos que gostam de mim, e acho que se eu pedisse, eles quebrariam a sua cara... É assim que briga? A ameaça pode ser uma coisa fantástica, do tipo "vou quebrar a sua cara"? Como estou me saindo? Você vai pedir desculpas? É que... você errou comigo mesmo. E, sabe, me deixou meio brava aquele dia." Ridículo.

E a auto-estima anda tão em baixa ultimamente, que eu fico compreensiva só de pensar que prtos outros não deve ser fácil se relacionar comigo mesmo (é, amigos também), faz todo o sentido pensar que ninguém se esforçaria pra me agradar.

Mas olha... sempre me esforço pra agradar pessoas muito piores.
E se doçura não tem funcionado, vou ganhar meu espaço na marra. Ié! (hihihihihihi. Não dá pra levar a sério mesmo)

Mas fiquem espertos, porque vou brigar com alguém ainda essa semana, espera só.
E usar palavrões.

Eu não tenho computador,  

mas tenho um caderninho.

Quando estou com vontade de me expressar, mas impossibilitada, escrevo no caderninho pra depois transcrever aqui.

Acontece que daí rola o filtro, e a maioria dos textos morre no caderninho mesmo.
São realmente idiotas.

Mas abrirei uma excessão hoje e vou publicar o que escrevi quando cheguei em casa ontem depois de alguns chopps.
Logo aqui em cima.

Ainda bem que não tenho computador.  

Acesso a internet da casa dos meus avós ou no quarto da minha mãe.

Ainda bem.

Se eu tivesse um computador no quarto ia escrever cada besteira nesse blog ao chegar em casa embriagada.

Hoje levei meu vô ao médico.  

- É bom mesmo se cuidar, seu Siqueira.

- Ah, me cuido. Agora mesmo estou indo no médico pegar o meu... atestado de óbito.


Engraçadinho, né, esse seu Siqueira.
Mas a partir de uma certa idade, tudo fica meio difícil. O tempo inteiro ele tem dores em todos lugares, e a cabeça não está mais 100%. Aliás a dele não sei nem se está 50%.
Já minha vó, uma das mais velhas de treze irmãos, é meio que uma sobrevivente. Está chateada, porque o único irmão que ainda estava são e em pé, caiu no hospital. Deve ser foda demais.

Esse irmão dela é um sujeito interessante, vou falar sobre ele.
Solteiro sozinho.
Militar aposentado.
Fanho (bastante, é meio difícil compreender o que ele fala).
Superinteligente, fala altas línguas e sabe um monte de coisas.
Lê tudo. Lê muito. Lê demais.
Mal sai de casa.
Ele tinha muitos gatos, eu acho.

Eu fantasio um monte de histórias a seu respeito. Porque suponho que uma pessoa que conhece tanta coisa, que se interessa tanto por tudo teria gostado de viajar, de conhecer pessoas...
Em uma das histórias que imagino, ele teve um grande amor no exército. Um homem, que partiu seu coração. E desde então ele sofre calado encerrado em sua casa, não quer saber de mais ninguém e enterra-se nos livros.
Na outra, ele é sozinho assim porque sua dificuldade de fala sempre o impediu de se aproximar das pessoas. Ainda no colégio apaixonou-se por uma colega de sala que zombou dele. Hoje ele nem se lembra mais dessa história, mas é graças a esse ocorrido que ele nunca mais teve vontade de falar com as pessoas, e fica encergonhado a cada vez que alguém não entende o que ele diz.

E tem outras, que eu imagino desde nova. Porque não sei mais nada sobre ele. Só sei que minha vó o ama muito.


Ainda tem mais uma irmã viva, a Biga. Mas ela já não reconhece as pessoas, e quando minha vó ia pra Itapecerica na Semana Santa (em Minas, como faz todos os anos), o pessoal achou melhor não, porque seria muito triste para ela ver a irmã.
A Biga também tem uma história interessante:
Aos dezoito anos, quando foi votar, descobriu que seu nome não era Abigail, como assinou a vida inteira. Seu nome estava registrado como Bigair, porque seu pai mandou que um funcionário da fazenda fosse ao cartório quando ela nasceu.
Hahahahahaha. Adoro essa história.
A tia Biga fazia vários docinhos quando eu era criança.


E além deles dois, claro, a dona Irene. Em pé, sã. Sobrevivente. Cuida de si, dos filhos, dos netos, do seu Siqueira e de quem mais precisar de ajuda. Mas a agente também a ajuda um pouquinho.
Dela eu sei muitas histórias boas. se memória for coisa herdada, é dela que puxei a minha. Ela conta casos infinitos, parece que lembra a vida inteira e fica contando pra mim.
Ela não ia no médico na infância, Fico chocada quando conta que nunca foi a uma ginecologista na vida. Foi tudo acontecendo por conta da natureza, os filhos, o tempo passando... e daqui a pouco, 89.
A única vez que a vi caída foi porque um médico falou pra ela tomar simultaneamente dois remédios incompatíveis (um pra pressão alta e um pra arritmia). Daí a vi caída, literalmente. Foi por pouco.

Parece que nessa idade eles sempre escapam por pouco.

Meu vô eu já vi cair algumas vezes. A gente nunca sabe. Daqui a pouco vai mesmo buscar um atestado de óbito, disso eu tenho consciência. Sou muito grata por tê-los ainda ao meu lado, e por tudo o que eles já me deram.

Espero conseguir fazer com que minha vó não se sinta tão sozinha quanto eu imagino, com tudo o que tem acontecido.

Junho é meu mês preferido  

de tooooooodos os doze meses do ano.

Esse friozinho, esse céu azul, esse sol... hum, festa junina...

 

Ia ser só isso, mas vou contar.

A internet não tava funcionando mais cedo, então escrevi outros três posts no bloco de notas:
- O primeiro sobre minha atual dificuldade nos relacionamentos (aliás, o milésimo sobre isso. O primeiro do dia). Andei olhando recentes emails de fim-de-relacionamento (é, tenho o hábito infeliz de terminar coisas por email, é um sentimento de "não dá pra falar com ele agora, mas preciso me expressar NESSE MOMENTO, que estou de olhos abertos, então vai por email mesmo") e eles são todos meio "você não vai poder me dar o que preciso". É, sabe, porque eu tenho uma capacidade incrível de predição e já sei tudinho o que vai acontecer. Nem preciso dar um tempo e esperar o cara fazer cagada para então pensar se vai ou não dar certo. O último cara com quem estive é amigo de uma amiga minha e a primeira coisa que perguntei pra ela depois da primeira vez que fiquei com ele foi: "Me diz quais são os defeitos dele". Então anuncio oficialmente que estou voltando à greve de meninos e ao celibato. Não consigo mais ficar tranqüila, vou esperar passar essa fase. "Bia, olha como vc é, por que fez justo essa pergunta?" e a resposta: "Hã... porque qualidades eu vejo um monte..." (me saí bem).
- O segundo contava que hoje eu comecei aula de teoria musical. É, só teoria mesmo, pra ampliar os conhecimentos gerais superficiais sobre os quais conversei com o Coala na última vez que nos encontramos (viu, citei vc, tá lendo?). Um amigo perguntou esses dias: "você não é muito musical, né?" respondi que não e deixei por isso. Mas tem acontecido que tenho tentado ser. Tenho me interessado mais, perguntado coisas... hoje na aula a professora tava falando daqueles meio tons, bemol e sustenido, e comentei com a minha prima q está fazendo aula comigo: "Ah, isso um amigo meu me explicou certa vez" e ela: "ah, claro, conversa de mesa de bar, né?" e eu: "sim, isso mesmo." Ela pareceu meio surpresa, mas sim, isso mesmo. Muitos amigos têm me explicado muitas coisas. Esse interesse começou no carnaval em Floripa, quando amigos da minha irmã falaram p eu sair na percussão do bloco, ou sambar com eles, e ao dizer que não era capaz a resposta era sempre: "Ah, Bia, até sua irmã conseguiu..." E realmente. A minha irmã é que era a descordenada (ou seria descoordenada?) e sem rítmo. Se até ela consegue...
- O terceiro era sobre a conversa que tive com a minha prima, Thalita, sobre a síndrome de Grace (do Dogville). Minha prima é bem como eu. Essa mania de ficar ajudando, cuidando e fazendo as coisas pelos outros, e não aceitar que as pessoas façam as coisas por nós e nem cobrar nada nunca. Terminava com três questões: Isso é uma coisa ruim? (vontade de cuidar e ajudar os outros é uma coisa boa ou atrapalha um pouco a nossa felicidade e capacidade de desfrutar quando outra pessoa quer nos fazer uma coisa boa e cuidar da gente também?) Alguma chance de ser genético? (eu já tinha toda uma teoria de psicologia envolvendo pais divorciados e etc e tals pra explicar por que eu sou assim. Mas a Thalita e minha vó Lília também são assim. E as nossas histórias são todas completamente diferentes. Quais as chances de todas as três pessoas que estavam conversando serem assim, sendo que eu acho que não tenho nenhum amigo que seja assim tão neurótico quanto ela e eu?) Arrogância ou baixa auto-estima? ("Eu sou melhor e não preciso" ou "eu sou pior e não merço"?)

Mas como esse é um mês muito bom e o dia estava lindo, foi só dar uma voltinha pra tirar essas questões da cabeça e me concentrar no que realmente importa:

Estou vivendo meu mês preferido.

Sentimento ruim.  

Culpa.

Fiz uma coisa errada. Eu geralmente me recuso a sentir culpa pelas coisas que fiz. Porque se eu faço mal pra alguém, é sempre sem querer. E eu hoje fiz uma coisa feia, e sabia o que estava fazendo. Perdi a oportunidade de agir como adulta. Até poderia culpar o álcool pra me redimir, tenho um milhão de desculpas que poderia me dar. Mas a verdade é que agi de forma impensada e egoísta. Sinto-me envergonhada e um pouco arrependida até.

Deixo registrado meu pedido de desculpas.

 

O que mais dói é saber que se eu pudesse voltar atrás, provavelmente faria tudo igual.

 

Eu geralmente me preocupo em não fazer nada que possa magoar outra pessoa. Ainda mais uma pessoa doce, que certamente nunca esperaria isso. Mas infelizmente, a gente é egoísta. É fácil não magoar ninguém quando as vontades coincidem. Mas na hora de escolher entre o outro e nós mesmos, é difícil ser grande.

Culpada e envergonhada.

 

Pra me sentir melhor, tenho que assumir que sou ser humano: egoísta e filha da puta.

Marepe  

Não é uma das coisas mais bonitas q você já viu? Apaixonei-me.

O q eu vi era uma sequência de umas quatro fotinhas, o cara tirava um pedacinho e punha na boca, mas só encontrei essa. Achei maravilhosa. Simples e... perfeita.

Ontem foi dia dos namorados  

Eu fingi que não lembrava, mas claro que lembrei.

Em todos os meus namoros, essa data sempre foi ignorada. Essa e todas, não sou boa com datas. Nunca soube aniversário de namoro nem nada... Acho péssimo a gente ter a obrigação de arranjar um presente, sempre sai uma porcaria. Presente tem que ser dado assim, quando vem a idéia. Declarações e cartinhas românticas têm que ser feitas quando dá vontade, né, não quando o calendário manda.

Ai, mas quando não estou namorando, é impossível escapar. O mundo fica povoado por casais, as lojas ficam cheias de coraçõezinhos, os amigos todos têm compromissos.

Daí fiquei brincando de orkut no fim da tarde, mas era recorrente o pensamento: "Não acredito que até Fulano está namorando e eu não!!". Daí fiquei pensando em todos os últimos casos que tive e não evoluíram. Pessoas com quem saí durante dois meses, quatro meses e etc e tal, e ficava sempre estagnado. Daí bateu aquele desespero do "vou ficar pra titia, ninguém no mundo nunca vai querer namorar comigo, qual será o meu problema?". Daí fiquei achando que talvez eu seja boazinha demais, nunca exijo nada e daí o povo se acomoda achando que é suficiente pra mim sair uma ou duas vezes por semana. Pra sempre. O cara se recusa a fazer qualquer sacrifício e eu nunca demonstro estar chateada. Mas eu sou muito insegura, preciso de alguma estabilidade ou minha cabeça vai longe... Preciso saber que o cara tem vontade de estar comigo. É um saco sair com uma pessoa e nunca ter a certeza de que ela vai querer te ver de novo. Não lembro mais como é que se fazia pro relacionamento evoluir.

Daí eu resolvi pedir uma pizza e assistir America's Next Top Model. Talvez me sentisse melhor vendo aquelas meninas mal humoradas. Não tenho namorado mas também não passo fome, posso comer pizza e ficar gordinha à vontade. Vou morrer sozinha, mas vou morrer bem alimentada.

Daí a Nina me ligou, fomos ao Burdog. (calma, gente, eu não comi. Seis pedaços de pizza foram suficientes) Ela queria conversa e tals. E sabe... o Burdog estava cheio de casais. Gente, sério. Tudo bem ir no Burdog. Mas tipo... dia dos namorados, né? Ficar em casa jogando Detetive é mais romântico do que ir ao Burdog. (tá certo q pra jogar detetive são necessárias três pessoas. Aliás, esse é um problema que minha mãe e eu temos. Alguém quer vir jogar detetive com a gente?)

Aí eu lembrei de uma coisa que de vez em quando eu percebo. De vez em quando eu esqueço e acho que sou encalhada. Daí de vez em quando eu lembro. Eu sou muito exigente. MUITO. Até tem alguns meninos por aí que dizem me achar interessante. Eu até tenho opções. Mas sabe... eu não vou namorar um sujeito que me leve no Burdog no dia dos namorados. E talvez seja esse o motivo pelo qual vou morrer sozinha.

Aiai, será que existe? Ou será que eu vou ter que diminuir meus padrões? Romântico sem ser clichê, bonzinho sem ser ingênuo, engraçado sem ser aparecido, sensível sem ser frágil, que me trate como uma princesa sem ser grudento ou dependente? Ai, tanta tanta coisa nessa lista... Será q eu vou passar o resto da vida dando com a cara na parede?

Mas cheguei em casa muito melhor. Antes só do que mal acompanhada, sabe?

E agora no meu quarto eu tenho um problema, q a NET tá boicotando os gatos. E no meu quarto eu tinha um gato da TV a cabo e pegavam todos os canais. E eu sempre dormia assistindo Discovery Kids, garantia de bons sonhos. Mas agora estão pegando só os canais abertos, e de vez em quando um ou outro canal aleatório. Essa semana, só o Tele Cine Light, sabe-se lá por quê.

E daí tava passando Um lugar chamado Notting Hill. Comédia romântica com Julia Roberts, precisa dizer mais? Mas tem uma hora que ela fala uma coisa tãããããããão bonitinha. Não é o tradicional "I'm just a girl standing in front of a boy blablablá". Tem uma hora, depois de ela fazer uma cagada, pedindo pra voltar, que ela diz algo assim: "Eu preciso ir embora hoje, mas pensei, se eu não fosse, se você me deixaria te ver um pouquinho... ou muito, talvez... pra ver se você poderia... gostar de mim de novo." Óóóóiiinnn... não é bonitinho? Bem de menina, eu sei, piegas e tals. Aquele tipo de coisa que a gente não pode confessar que gosta se quiser parecer bacana.

Mas dormi feliz e apaixonada. Pela Anna Scott talvez. Ou pelo roteirista do filme sei lá. Alguém no mundo escreveu isso, parabéns, o namorado desse roteirista deve ser um cara de sorte.

Tem algumas coisas que não acontecem na nossa idade, no mundo real. Tive algumas paixões malucas, mas hoje acho que talvez sejam coisa de adolescentes. Passei da idade de me apaixonar perdidamente, os relacionamentos agora serão tranqüilos e evoluirão lentamente. Infelizmente.

102  

Minha vó:
- Bia, se eu quiser o telefone de algum lugar... eu tenho que discar o que, mesmo? 102?
- Isso, vó.

E discou.

- Comercial. São Paulo. Por nome. Rei dos Armarinhos, no Brooklin.- anotou o número em um papel - Pode transferir. Transfere. Pode transferir. - e pra mim: - Ué, não transferiram...
Daí ela discou e o número estava errado. Resolveu tentar de novo.
- Comercial. São Paulo. Nome. Rei dos Armarinhos. O que está correto? O quê?

Então eu percebi que ela não havia percebido.

- É uma gravação, vó.

Pouco depois ela desligou.
- Entrou uma terceira pessoa, q confusão...

Resolvi ajudar, liguei lá. Algo assim:
- Bem vindo ao serviço de auxílio à lista da Telefônica. Você deseja telefone comercial, telefone residencial ou outras informações? Em que cidade? Quer fazer a pesquisa por nome, endereço ou consultar mudança de número? Qual o nome do estabelecimento? Aguarde enquanto fazemos a pesquisa.- aí entrou a atendente. Um chiado no fundo, era meio confuso mesmo. - Qual o nome do estabelecimento por favor? - aí voltou a gravação - o número é 1234-5678. Para transferir a ligação agora, a um custo de 75 centavos mais os pulsos utilizados, aperte 2.

Não estou zoando a minha vó, ela até que é espertinha pra muitas coisas, mas tem seus limites.
Essas tecnologias criadas pra facilitar a vida esquecem dos velhinhos.

Festa a fantasia  

E agora, quem sou eu?

 

 

Me mandaram deixar a piteira do lado de fora, fiquei completamente descaracterizada. Uns poucos reconheciam. Insisti que era uma piteirinha inofensiva, mas o segurança disse q podia pegar no olho de alguém. Tive que dar razão. Ela é meio difícil de controlar mesmo, comprida desse jeito. Com um cigarro aceso na ponta e um pouquinho de álcool no meu sangue poderia ser fatal.

Essas caras q eu fiz são pose da personagem. Assim como a Amy Winehouse ao meu lado (que pelo visto não posou em todas, né, Amy?). Querem ver uma coisa engraçada?

Acima nas personagens, abaixo no nosso normal.

Pois é.

Não tô afim de escrever hoje não, só vim por as fotos.

Ia fazer "dia de paulistano" com o Guilherme, sair p ir a algumas exposições, almoçar, compras, cinema, essas coisas q a gente faz de vez em quando. Íamos sair cedinho, mas lembrei q hoje começo um curso bem na hora do almoço.

E... só. Falei q não tava afim de escrever...

Mas de vez em quando a gente fica pequenininha.  

Hoje acordei e resolvi que não ia na festa. É coisa da velha Bia, aquela irresponsável, deixar de fazer o q tem q ser feito p ficar indo a festas.

E daí fui pro salão, animadinha pro meu primeiro dia de uma carreira brilhante, e me mandaram voltar pra casa. Pra sempre. Quer dizer, disseram q entrarão em contato, mas... né?

Frustrante.

A velha Bia ligaria no Delivery do América, pediria um veggie burguer, uma coca, uma batata-frita e um frozen brigadeiro. E passaria o dia assistindo tele cine light: dramas e filmes românticos. Já a Bia adulta imprimiria mais currículos e sairia por aí distribuindo. E iria ao salão à noite e pixaria o muro contando as coisas erradas que viu no dia q foi fazer o teste lá.

Mas, sabe, saí de lá não muito gente grande. Saí de lá bem pequenininha.

Foi muito frustrante. Como as pessoas contratam a gente e quando a gente chega lá p trabalhar, dispensam? O mínimo, o mínimo, seria ter ligado e avisado: "não vem".

 

Saco.
Pelo menos vou na festa hoje. Já não estava mais nem animada.

Agora preciso ir, que mesmo sendo mulher adulta tenho uma mamãe fofa q vai me levar p almoçar hoje q estou chateada.

Amanhã tenho uma festa  

Faz um tempãããããããão que comprei esse convite (tipo uma semana). E daí apareceu esse trampo agora. Sexta e sábado. Começa às dez e não tem hora pra sair.
Vai ser meio cansativo, né? Amanhã eu vou entrar no salão antes das dez, tchururú, ficar em pé, fazer escovas (e isso cansa pra burro, não sei se alguém sabe. O secador é pesado, a gente tem q ficar fazendo força com o braço e etc e tal) e sair depois das 22h ou muito mais tarde. Daí vou pra casa, me monto às pressas (vai demorar p me montar, já falo a respeito), vou pra festa (e a fantasia exige um salto alto. Acho q irei mal fantasiada, não vou agüentar). Volto provavelmente pela manhã, me desmonto, lavo meu cabelo, faço escova, chapinha e etc e tal, chego no salão antes das dez, e fico mais de doze horas em pé de novo fazendo escova.
Já estou começando errado.

E a fantasia, né: hoje fui lá no centro (ladeira porto geral, 25 de março) comprar coisinhas. Eu nunca usei uma fantasia pensada, geralmente vou com o q tem em casa (a mais tradicional é de lápis: um vestido comprido de uma só cor e um cone na cabeça). Estou superanimada com a minha fantasia. Vou só falar o q comprei e vcs adivinham do q é (dica: personagem de um filme).
luvas pretas compridas, cabelos, piteira longa, colarzão de pérolas (de plástico, claro), cílios, laquê, enfeite pro cabelo (tipo uma coroazinha) e acho q só. O óculos estilo 60's e o vestido preto eu já tenho.
Depois da festa eu posto a foto.

Ah, e hoje um monte de pessoas ficaram me pedindo informações. Tipo nos metrôs e tals. Muito mais do que o normal, fui a escolhida do dia. Não sei se porque sou simpática ou se porque tenho cara de quem conhece tudo.

 Vou precisar de drogas estimulantes. É tão fácil arranjar remédio pra dormir, alguém tem remédio pra ficar acordado???

esse negócio de resolver tomar o controle...  

...rende bons frutos, viu?

Foi uma semana. UMA SEMANA. De terça a terça. Cada dia foi acontecendo uma coisa, e de repente, de repente... mulher de 24 anos.

Terça-feira me dei conta de q tenho 24 anos. VINTE E QUATRO. Já deveria estar formada, começando uma carreira e etc e tal. Senti-me mal. Tá certo que tive alguns problemas de percurso, mas nada justifica eu ter voltado p SP há um ano e ainda não ter começado a trabalhar. Daí quarta teve esse negócio do blog, e oups, não tenho mais idade pra ser uma menina. Daí quinta eu não fui à aula porque havia saído com um amigo na noite anterior. Daí percebi q tava vivendo como se tivesse 18 anos. Daí sexta fui a uma baladinha, conhecia pouca gente. Fiquei me sentindo muito desconfortável. Uma menina. E estou saindo com um sujeito q é mais novo, e faz tipo tanta coisa... que acabei ficando meio puta com ele por me sentir mal ao seu lado, ao me comparar com ele. E sábado estávamos juntos, e eu queria ir p minha casa dar comida pro Scott e ele ficava todo: "ai, mas ele é um cachorro, não acredito que tem horário pra comer e nhenhenhé" e daí passei um tempo com ele, querendo ir pra casa, mas sem conseguir me impor, sentindo-me mal comigo... e daí sábado escrevi aquele outro aqui no blog.

E aí eu percebi.

Eu sou a única responsável pelo que me acontece. A única responsável pelo que sinto. A única responsável pelo que faço. Onde estou, quem sou, o que faço são unicamente conseqüência da minha postura diante da vida até hoje. E é a MINHA postura hoje que vai determinar onde estarei amanhã.

Daí domingo eu resolvi virar adulta. Resolvi também mudar a minha postura com o tal menino. Porque, sabe, eu sou 50% de um casal. Não tinha percebido ainda. Que eu também tenho que tomar as rédeas às vezes. E daí saí tranqüilamente, fui sozinha ao show do Herbie Hancock. Eu nem conhecia o sujeito, mas todas as pessoas com quem havia falado naquele fim-de-semana me disseram q iam e q era bom. Daí fui, e não fiz questão de encontrá-las. Diverti-me bastante, sozinha assim. Também encontrei um pouquinho com o sujeito depois, fiz o teste. Não sei se mudou alguma coisa p ele, mas mudei a minha forma de perceber e encarar as coisas. Foi bom. Daí segunda arranjei um salão bacana onde um cabeleireiro queria uma assistente. Terça fui lá, fiz uns testes e o sujeito gostou de mim.

Assim. Uma semana. Uma boa semana.

 

Tá certo que não é nenhum trabalho de adulta. Sou assistente de cabeleireiro só sexta e sábado. Mas é um lugar bacana (não posso contar qual por causa do seqüestrador - já contei, né, que tem um seqüestrador q lê meu blog), eu vou aprender bastante e já dei início à minha carreira. Tchanãns!

Na noite de segunda pra terça tive um sonho esquisito, q a Nina e eu estávamos numa casa que era uma mistura de Índia com freakshow. Móveis baixos, estampas floridas, jóias, pessoas esquisitas... Tinha uma mulher gordona que ficava andando pelada, e ela tinha um bumbum cinza e um rabinho de elefante. E tinha uma árvore de peixes. A árvore era baixinha, e os peixes gordos e molhados se arrastavam no chão com as nadadeiras mas não conseguiam sair dali porque estavam presos na árvore pelo rabo. E eles nos mordiam quando a gente encostava.
Estávamos as duas meio sem saber o q fazer, pequenas e assustadas. Daí pensei: "sou uma mulher adulta" e resolvi falar com as pessoas, descobrir o q era preciso para sair dali, sem sentir medo e tals.

Hihihihihihihihi

Nova Bia.

Hoje dá.  

Olha ali. Mulher. Viu? Mu-lher. Mullllher. Mulher. Eu. Viu? Viu?

Gente grande já, crescida, adulta. Possuo o controle, assumi as rédeas, compreendo que sou responsável pelo que me acontece. Independente (em alguns aspectos, claro). I will sell this house TODAY.