Não vá se perder por aí...

sushi go round  



:P

Mulheres  

Hoje saí com uns amigos bem antigos.
Acho que nunca comentei sobre como tenho amigos homens. Não parece, eu sei, porque tenho só crises de mulher, mas enquanto tenho umas 4 amigas meninas tenho uns 30 amigos homens.
Daí hoje saí com os amigos do colégio. A gente estudou junto acho que de 97 a 2001, e daí depois de formar eu mantenho muito mais contato com os meninos (aqueles q ficavam chapando e cuja diversão é bem aquela de meninos) que com as meninas.
É bonitinho, eles acham q são meio meus irmãos mais velhos mas sabem q eu sei me cuidar. Daí eles ficam meio de olho mas sem repreensões.
As horas chatas são quando começam a falar de carros e futebol. Posso ter muitos amigos homens mas sou menina.

E no IME também era assim. Acho que não fiz UMA amiga mulher enquanto estudava no IME. Fora essa história de carro e futebol, as conversas de homem geralmente são mais interessantes, as piadas são mais divertidas e as referências têm mais a ver comigo. Não sei explicar por que sinto-me muito mais à vontade numa rodinha de meninos que numa de meninas.
Claro que amigas mulheres são indispensáveis. Com quem mais a gente pode falar de homens? Amigos homens são pra distrair e dar risada, mas só mulheres entendem direitinho o q a gente sente... E depois de estudar psicologia e mudar pra área de cabeleireiro, eu aprendi até que mais ou menos bem a me relacionar com tal gênero.
O problema de mulheres é a vaidade. A gente foi meio treinada pra competir, pra ser a mais bonita, a mais legal, a mais querida ou o que seja. Isso é algo do qual tenho tentado fugir de uns anos pra cá.
Tava conversando certo dia com uma amiga q me contou q vez ou outra dava uma trepadinha insignificante com um sujeito que tinha namorada. Segundo ela, isso teoricamente não influenciava o namoro, era insignificante num contexto maior, pôxa vida. Mas repreendi. E daí ela me contou sobre como ela, toda meio hippie do amor livre, ficou meio assim quando uma outra amiga contou q estava afim de um outro cara com quem ela já havia ficado.
O problema de nós, mulheres, é que geralmente priorizamos o homem. A gente compete pra ser a melhor, e geralmente deixa os homens de juízes. Eu tive minha fase, mas desde que o cara com quem eu certa vez imaginei que pasaria o resto da vida me deixou pq se apaixou por outra menina, eu tento não fazer mais isso. Não fiquei com a menor raiva da sujeita, sabe? Ela é só uma mulher, como eu, que encontrou um cara bacana que gostou dela. Mas desde então eu resolvi que não vou mais ser cúmplice de traições e abandonos e corações partidos. É sacanagem demais fazer isso com gente que é que nem eu.
Há pouco tempo atrás conheci um sujeito que achei ótimo. Foi a primeira vez em bastante tempo. E eu tive a impressão de que tava rolando um negócio. Mas daí eu descobri que ele tinha namorada. E pronto, fim da história. Mesmo que faça tempo que eu não encontre alguém que pareça suficientemente interessante, imagino que pra ela também tenha sido difícil, e q ela deve estar mó feliz de estar com um sujeito bacana. E ela também era uma mulher bacana. Eu que não vou me meter no meio de um casal feliz! O cara pode até estar dando bola, e teoricamente eu não tenho nada a ver com isso. E o problema é justamente esse.
Mulheres, unamo-nos! (soou tão feio. Eu ia falar Uni-vos, mas tive de me incluir)
Homens não fazem isso. Tão raro, a gente ver dois amigos brigarem por causa de mulher, e tão normal a gente ver duas amigas brigarem por causa de homem...

Eu não fico com homem q já ficou amiga minha. Não fico e não pretendo. Não vou dar chance, sabe? Eu ia falar "tem tanto homem por aí..." mas bem, não tem. Talvez seja por isso q mulher brigue por causa de homem: não tem homem bacana por aí dando sopa, eu que os diga.
Mas não trocaria amiga nenhuma por um cara. Odiaria ver alguma amiga minha sofrer por filhaputagem minha. Ou às vezes só por vaidade, mulher faz isso. Finge que não sabe nada do que tá acontecendo mas faz questão de esfregar na cara da amiga o quanto é melhor. Afe, q horror!
Por isso tenho poucas amigas mulheres. Porque a maior parte faz isso, ou convive com uma amiga que faz, e demora um tempo pra gente conseguir falar pra pessoa: "ora, não seja cara-de-pau, vc sabe muuuito bem o q fez" e a amiga concordar.
Esses relacionamentos entre mulheres têm muitas coisinhas escondidas, nós somos muito sonsinhas, e isso é algo q eu tenho evitado. Tá certo que de vez em quando dá mta vontade de falar: "não fiquei com ele porque sabia que você queria ficar" (isso é muito coisa de sonsinha. Vc esfrega na cara da amiga q é melhor q ela e ainda se faz de boazinha porque no fim da história não ficou). Vaidade pura. Maior bobagem. O ideal é engolir, deixar pra lá e não ficar com essa brincadeirinha de querer mostrar que é melhor. Tenho tentado.

E tenho tentado não magoar outras mulheres (peço desculpas à que magoei - que, segundo o google analytics entra no meu blog), estou escrevendo pra falar justamente isso. Homens são passivos e ingênuos. E nós, mulheres, devemos nos apoiar. Escrevendo pra falar que não fico brava com qualquer mulher que esteja namorando ou ficando com qualquer cara com quem estive ou com quem gostaria de estar. E também não fico brava com o cara. Estou encalhada, mas casais felizes me fazem feliz.

E é justamente por isso que me dou mal. Eu não sou boazinha, eu sou bobona.
A maior parte das mulheres é espertinha e pegaria meu cara num piscar de olhos.
Mas eu, bobona, no momento estou feliz por todos os casais felizes que existem.

E daí, se não culpo uma mulher por ficar com o cara com quem gostaria de estar, e não culpo o cara (porque afinal de contas homens são passivos e tals, e eu sou meio complicada e exigente), fico aqui, encalhada e resignada, maior bobona que acredita que o príncipe inda vai enfrentar o dragão e escalar a torre pra me salvar só porque gosta de mim assim, encalhada, bobona e ingênua, que não acredita que "vale tudo no amor e na guerra". E não acredito mesmo, que absurdo comparar amor com guerra. Amor não tem nada a ver com passar a perna nos outros, com fazer joguinhos e tals. Amor é assim, só. É simples, é fácil, e não faz mal pra ninguém.
(só pra quem acredita mesmo nisso - tipo eu)



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Cês lembram de uns posts "ah, ainda bem que não tenho computador porque se não ia chegra em casa bêbada e postar um monte de bobagens"?
Então, tenho dormido na casa da minha vó, e daí acontece que eu TENHO computador quando chego em casa embriagada. Ese texto aí em cima foi o que saiu.
Não tem nada a ver com o que sentei aqui pra escrever, mas foi o que saiu e achei que até que deu certo. Não expressa o que estava sentindo quando cheguei, mas expressa um lado meu mais constante. Até teve um texto da Tamara no qual escrei sobre isso, entre outras coisas.
Sentei pra contar sobre minha noite entre amigos homens e acabei falando sobre como sinto-me solidária às mulheres. Porque afinal sou uma. E nos compreendemos muito melhor que qualquer cara que a gente deixa avaliar.
Kundera, Almodóvar e Woody Allen até chegam perto (cada um da sua forma), mas acho que só uma mulher entende mesmo o que sente uma mulher.

Ética e trabalho na sociedade contemporânea  

hihihihihi, enganei alguém alguém com esse título? Ou vcs logo q bateram o olho já notaram a risadinha no começo do texto?

Nem sabia como entitular, é só sobre as bobagens de sempre. Antigamente meus posts até tinham temas centrais, né, cada um falava de uma coisa, refletia sobre um assunto, eu era capaz de dividir e escrever com objetivo.
Mas hoje já sei que não estou assim. É um daqueles dias em que vou sentar-me aqui e ficar viajando, mudando de assunto distraidamente e passar horas nesse metapost (hábito comum e provavelmente irritante).

Apesar de ter conectado, nem escrevi segunda nem ontem, porque estava meio mais ou menos. De vez em quando as coisas como estão parecem ótimas. E de vez em quando não. Hoje, por exemplo, estou tãããããão feliz... Mas segunda fui dormir me sentindo uma merda, e terça acordei sem a menor vontade de levantar da cama. Daí resolvi não escrever, afinal, pra que deixar registrados sentimentos dos quais quero me esquecer?
Cada dia mais eu acho que o clima é o responsável. Segunda-feira estava até quente, mas o dia estava horroroso, cinzento e tals. E ontem meio que fez frio, e aquele dia feio. E hoje, aiai... o céu está tão azul, as ruas estão tão coloridas... Ando por aí cantando e saltitando igual uma doida. Mas claro que ando prevenida. Meu mp3 parou de funcionar (faz meses na verdade, preciso substituir), mas eu não parei de carregar os fones comigo.
Porque uma pessoa andando pela rua cantando e saltitando só parece uma doida se não estiver com fones de ouvido. Ninguém sabe que não está tocando nada mesmo!

Então.
Nos últimos dois dias eu estava com a sensação de que estava tudo uma bosta, né?

Mas hoje eu estou com uma sensação de que o universo está me preparando uma boa...
Estava andando pela rua feliz e contente a caminho na faculdade quando senti algo cair em minha cabeça. Passei a mão pelos cabelos e era um negócio gosmento, e como foi na MINHA cabeça que caiu, óbvio que era cocô de pombo.
Mas sabe que não era? Quando olhei minhas mãos, um negocinho vermelho, um cheirinho bom... era uma pitanga! Meu cabelo ficou todo cheirosinho de pitanga, e nem ficou muito melecado pq tem tanta água... E eu inda tava de blusa vermelha, nem ficou suja, mas que coisa!
E semana passada tinha família em SP daí a gente ficou jogando buraco com os meus avós. E gente do céu, eu não ganhei uma! Perdia tudo, assim... de lavada! Hu-mi-lhan-tes as pontuações! E eu juro que não tava jogando mal, as cartas simplesmente não vinham. Vocês conhecem a lenda do azar no jogo. E se a gente também está com azar no amor, alguma compensação eu mereço, o universo está me devendo. Estou ganhando altos créditos kármicos.
(olha só o q o sol faz com a gente. Invés de reclamar q uma pitanga caiu na minha cabeça e q só tenho azar tou aqui feliz da vida com essas chateações)

Falando em créditos eu ultimamente tenho controlado minha vida assim, contando os créditos pra evitar a culpa. (o cartão de crédito eu evito também, está diretamente associado à culpa)
Por exemplo: sinto-me culpada se não passo tempo suficiente com os meus avós. Ou com o Scott. Daí fico revezando. Um dia dos avós, outro do cachorro. Os fds também estão funcionando assim há uns dois meses. Eu passo um fds trabalhando, e ganho créditos pra fazer o q eu quiser no seguinte. Passar a vida na gandaia não tava rolando, agora se acordo me sentindo uma bosta, posso me consolar pensando que tenho trabalhado e tals.
Não recriminem, descobri a minha lógica.
Fds passado, saí quinta, sexta, sábado e domingo - bem domingo eu não saí, mas quem leu o post anterior entendeu (de repente foi por isso q fiquei me sentindo uma bosta na segunda). Não posso gastar todo o crédito kármico com essas coisas, esse fds tenho q trabalhar pra economizar aquele crédito do azar no jogo e azar no amor. Capiche?

Então é isso.
O universo já me trouxe o sol hoje. E eu nem sou muito exigente, um céu azul é o bastante pra me deixar feliz.

Agora com licença que vou aproveitar esse presente e passear com o cachorro na pracinha. Mas, como hoje é dia dos avós, vou fazer um cafezinho antes e bater um papo com eles no quintal.

(aliás, esse estado de humor deve ser excesso de sol na cabeça, isso sim, que deixa a gente meio idiota.)

sunny sunday  

Aiai, essa minha noite vai ser um saco.
Tudo porque meu dia foi interessante.

Cabei não votando =/
Se a Marta e o Kassab tivessem empatado, eu teria ficado puta por não ter votado ("não pode pensar assim, Bia, o voto de todos é importante, o seu voto te representa na sociedade, um voto apenas parece não ter valor, mas unidos são eles que elegem o candidato")

Acordei hoje com meu pai ligando: "Minha filha, onde você está? Estou na porta da sua casa". Eu não o via desde fevereiro que me lembre.
Daí ele veio aqui na minha vó e tomamos uma cervejinha. Mas ele precisava ir pra casa da minha outra vó visitá-la, e eu precisava levar o Scott pra votar (oui, meu cachorro é muito politizado). Então a cerveja acabou e fomos pra minha casa. Mas lá tinha mais cerveja. Então ficamos lá, tomando umazinha, conversando com a minha mãe...
Eu descobri que esse negócio de não conseguir tomar pouca cerveja é hereditário. ("ai, Bia, todo dia agora você fala em tomar cerveja, nhé nhé nhé" Com licença que esse é o meu fim-de-semana de não trabalhar, e eu posso tomar quantíssimas cervejas eu quiser. Espera só que no fim de semana que vem só vou falar de cabelo e sapatos confortáveis)
Daí acabou a cerveja lá de casa, pedimos p entregar mais, e sei que quando deu 17h estávamos os três na sala conversando, todo mundo já tinha chorado, os dois falando dos erros, problemas e arrependimentos na criação de mim e da minha irmã (pelo visto não gostaram do resultado =/).

E eu com um trabalho imenso pra entregar, um grupo de 7 pessoas, trabalho q o professor passou em agosto e não tinha nada feito até hoje. E sobrou pra mim, claro, porque eu sou a mais boazinha. Mentira, é porque eu sou a mais bobona.

Daí (essa foi a parte mais idiota), subi pro computador umas 18h e vi que tinha recebido um email de um cara do grupo:
"Gente, cada um manda um resumo do trabalho, ou o q tiver aí com as próprias palavras e - mais importante - não esqueçam de mandar a conclusão individual, ok?
Daí eu me viro com o q vcs mandarem.

Mas por favor, mandem.
Podem fazer resumo da parte q quiserem, ok?

Daí eu dou um jeito de montar.
Mas se ninguém mandar nada também não vai ter trabalho. =P

Beijos!!!!"
Daí eu fui e montei um esqueletinho com as partes soltas que cada um tinha me mandado, escrevi resuminhos do que faltava e enviei pra ele, com um email agradecendo por ter se oferecido pra montar e tals.
Daí fiquei mais tranqüila, entrei no click jogos do uole fiquei ali distraída ajudando por msn a outra menina do grupo que estava com dificuldades pra fazer a parte dela.

Daí me liguei.

Gente, sério. Que burrinha. Eu nem acredito que isso aconteceu.
Esse email falando pra cada um mandar uma parte e falando que montaria o trabalho FUI EU QUEM ESCREVI e enviei pra eles ontem. Eu recebi o email do cara pq ele deu um reply anexando a parte dele e só.
Hahahahahahaha besta.
Nem reconheci o email que eu havia escrito, li como se fosse a primeira vez e ainda agradeci, hahaahahahahha

Então a minha noite vai ser longa e chata.
O maior problema de beber durante o dia é que depois dá aquele calor insuportável. Gente, eu sinto minha pele pegando fogo, que desconforto! Quando se bebe à noite, a reação é a mesma, claro, mas quando dá você já está deitando dormindo. No máximo dá aquela invertida no travesseiro e muda pra um canto mais geladinho da cama.

E cá estou eu, na casa dos meus avós (de novo!) que nem tem word, e escrevendo no blog ao invés de fazer trabalho.

Mas amanhã de manhã ele com certeza estará pronto.
Já fiz até esqueletinho!

Aiai, entediada.  

Então. Cabei de postar, né, fui num show agora.
E saí um pouco embriagada e um pouco animadíssima, mas o amigo q foi comigo namora e deixou-me logo em casa. Foi se recolher e ter uma noite romântica a dois.

Daí vim p cá ver se tinha alguém on line p me distrair. Ontem até deu certo, foi uma noite divertida conectada depois dos choppinhos.
Até podia ligar p uns amigos depois do show, descobrir alguém q estivesse na rua p eu encontrar, mas como estava de carona não podia ser muito exigente e acabei aceitando a q me trazia até a casa da minha vó.

Então vou ficar aqui falando sozinha, com licença.
(gente, q palavra feia. Tem c e ç. Tou olhando aqui e achando a palavra mais feia do mundo)

Tá tendo uma festinha na casa em frente. Dá vontade de pedir "licença" (afe, q horror! E soa tão bem) e ir até lá.

Acontece q estou com preguiça até de contar qualquer coisa.
Vou pensar numa história engraçada aqui pra ver se me animo falando sozinha.

Hum...
Acho q vou contar do Scott. O sujeito é bem engraçado. Se eu estivesse na minha casa agora estaria brincando com ele e me divertindo pra burro.
Mas, sabe, a moça q fica aqui na minha vó teve acidente de moto e pos pino no joelho e não virá por um tempo. Daí eu venho dormir aqui pra caso um dois precise de alguma coisa durante a noite.
É, eu sou elder-sitter. A família inteira dispersou-se e eu continuo aqui amante de São Paulo e próxima dos velhinhos, daí obviamente venho passar a noite aqui. Mas, ai, é tão cansativo. Meu vô é o maior teimoso e pirracento da história do universo. Certeza. Do universo inteiro, de todos os tempos.
E daí tenho q controlar. Porque eu tenho coração q agüenta passar nervoso, mas a vó naum tem.

A TV a cabo não tava funcionando na sala, então o técnico viria hoje, e minha vó ia ficar em casa p esperá-lo.
Mas meu vô resolveu que era imprescindível almoçar fora hoje. E ele queria ir num restaurante argentino, ao qual fui ontem à noite com a minha mãe e comi a única coisa sem carne que tem no cardápio: uma empanada de queijo com cebola. Mas não estava com paciência pra discordar, então pedi q ele se vestisse p gente ir p lá. E minha vó ficaria em casa sozinha e pediria um delivery num restaurante q eu adoro. Ele demorou mais de hora p se vestir, e todo mundo morrendo de fome, e minha tia chegou aqui com a criança, e meu vô enchendo o saco, e minha vó nervosa e ansiosa porque a gente tinha q resolver qum ficaria em casa p poder pedir a comida, e eu tentando convencê-lo a ficar.
Mas q nervoso q passei!!!!! E o velhinho já está meio mais ou menos, então fica falando grosserias pra tod mundo, afe... estava impossível hoje.

E estou com preguiça de continuar, não quero ficar aqui falando sozinha.

Vou deitar e assistir um pouco de Discovery Kids p ver se o sono vem.
Eu bem q poderia estar cansada depois de algum tempo pulando igual uma maluca no meio de um monte de gente que cheirava a suvaco.
Não estou reclamando, claro. Eu bem que poderia estar lá até agora pulando igual uma maluca no meio de um monte de gente que cheirava a suvaco (porque também estavam pulando igual malucos, oras. A gente que anda de ônibus está acostumada)

Vou deitar.
Com sorte levanto só amanhã.
Boa noite.

Cabei de chegar do The National.  

Fui no TIM Festival hoje.

Eu precisava gostar de mais bandas pra ir a mais shows.

Q delícia...

O Tatá da Memê  

Ao invés de ficar lendo de baixo pra cima, tá em
http://www.geocities.com/casa_da_bia/tm.html
Mais fácil, caso alguém se interesse.
Postado por Bia.
, às 16h46 | [ ] [ envie esta mensagem ]

Prontocabou.  

Ai, até postei duas partes hoje. Esse blog me fez uma falta que vocês nem imaginam, senti saudades de postar.....
Mas daí achei que não ia caber, ficar intercalando tatá da memê com assuntos aleatórios. E não era a proposta, né? Eu havia me proposto - e aceitado, claro - passar um tempo escondida.

Huumm, o q contar?
As coisas estão acontecendo, tenho a impressão de que finalmente estou encontrando um equilíbrio. Dei um tempo na vida social, mas já voltei (não resisto muito tempo sem uma festinha). Tenho trabalhado fds sim, fds não (é um bom equilíbrio, hahahahahaha, 6 dias por mês!)...

Ah, e pus aparelho!
Gente do céu, está ri-dí-cu-lo! Sério, eu pareço uma criança. Com peitos. Uma adolescente então. Não deve estar feio, porque muitos meninos ficam me olhando e flertando comigo no metrô. Meninos de 16, 18 anos... Haha, foda.
E na primeira semana caíram dois brackets (os quadradinhos). Eu pus numa segunda, né, daí as instruções. Não devo comer pipoca, amendoim, coisas duras e etc e tal. Huuummm... no dia seguinte almocei na faculdade e depois do almoço me deu um deseeeejo de Charge...... na verdade devia fazer uns 4 anos que não comia, mas não podia viver com o fato de que teria que passar mais dois sem desfrutar da iguaria. Doeu pra burro. Mas comi. Então quarta-feira fui ao cinema. Pipoca, certeza. Tudo certo.
Quinta à noite passo pela sala e tem um saco daquelas balas Butter Toffe (acho que é assim que escreve), uns caramelinhos. Comi uma, tudo certo, então posso comer outra. Daí caiu. O último do lado direito. E o fiozinho ficou solto.
Então fui pra uma festinha naquela noite e depois de beber um pouquinho ficava puxando o fio pra fora pra mostrar pras pessoas a gravidade da tragédia. E tinha dois amigos meus que estavam meio loucos e ficavam rindo de tudo que eu falava, daí fiquei me achando engraçadona, sentindo-me a própria comediante stand up e fiquei uma hora me apresentando pra eles, queixando do aparelho e fazendo graça, caretas e tal. Fui dormir no apê de um outro amigo e o fio não cabia mais na boca, eu tava com a gengiva toda machucada. Daí ele pegou um alicatezinho de cutícula e cortou o pedaço do fio q estava pendurado (grande Waginão) e salvou minha noite e meu fds (já que não pude encontrar o dentista no dia seguinte). Viajei no fds e tals, e domingo à noite resolvi chupar outra balinha. Lá se foi o bracket do lado esquerdo. Ainda bem que eu já tinha dentista marcado pro dia seguinte, ele já colou os dois e desde então nunca mais caiu nenhum quadradinho e estou me portando como gente grande quanto a esse negócio de não comer as coisas.
Mas é nojentão, parece que toda hora tem comida escondida. Ele falou pra eu escovar normal, mas não é possível que a escovação normal tire tudo!!! Deve ter algum segredo!! Afe, nojento.

E, que mais?
Minha vida amorosa, claro. Assunto recorrente.
Não tem nada o que atualizar. Simples assim. Continuo sozinha solteira exigente e em greve. Não digo encalhada porque fica feio. Eu só não conheci ninguém ainda que valha a pena a dor de cabeça. Pois é, vejam que tristeza, tenho associado relacionamentos a dor de cabeça. Nem beijinho na boca tenho dado.
Nos últimos seis meses, desde que comecei minha greve, saí com dois caras. E ficou comprovado que no momento estou melhor assim. Não eram caras ruins, eu é que estou ruim.
E estou bem sozinha. De verdade. Juro. Menos bobagem pra pensar. Ocupo o tempo com os avós, o Scott, mamãe, amigos, faculdade, trabalhinhos e, pela primeira vez (tcharãm!), comigo.
Tá certo que teve umas duas vezes esse mês que acordei me sentindo a maior incompetente do mundo, pensando que todas as pessoas normais são capazes de se relacionar menos eu. É que eu me fodi bastante nos últimos tempos, né? Mas duas crises não é muito. E também não é nada que uma cerveja não resolva. =P
Uma teoria é a de que eu já gastei a minha cota. Eu já tive tantas paixõezinhas e tantos namorados bacanas nessa vida que não posso nem reclamar de não me aparecer mais ninguém que interesse.
Mas como disse, parece que encontrei um equilíbrio. Eu tou tipo andando numa daquelas pontes meio bambas, com medinho. E daí parece que se aparecer um cara ele vai balançar toda minha ponte (tá certo que o Scott certamente não só balançaria a ponte como também pularia em mim e me jogaria lá embaixo). Achei a metáfora boa. Não é que eu vá cair, eu só estou com medinho de andar na ponte. Depois que eu estiver andando por ela tranqüilamente, talvez possa até chamar alguém pra passear comigo.

Huumm... mais, mais...
Meu cabelo está quase comprido. Vou tirar a carta de motorista (estraguei a surpresa, não me agüento). Montei uma maleta de maquiagem de dar água na boca (oh, yeah, baby. Agora eu faço maquiagem. Resolvi sair por aí sem insegurança fazendo tudo o que aparece).

E... sei lá.
Devo ir tomar um choppinho com a Taisa hoje. E acho q vou dormir na minha vó essa noite, porque a moça que trabalha aqui se acidentou e obviamente sobrou pra mim.
Então talvez depois do chopp eu venha escrever mais um pouco, sobre o que quer que a gente venha a filosofar a respeito.

Bom estar de volta.

O Tatá da Memê - Cap. V  

Holmes dormia na cama do hospício. Estava sonhando com qualquer bobagem, quando de repente apareceu Watson em seu sonho.
- Escuta aqui, ô moço, eu não faço parte do seu sonho, não. Eu vim do além pra fazer algo que eu quero há muito tempo - disse ele, dando petelecos no nariz de Holmes, que estava imobilizado pela camisa de força.
Watson começa a desabotoar a calça, e Holmes pensa: “Vai me estuprar, oh, não!!”

Watson abaixa a calça e faz para o detetive um bunda lelê.

* O Tatá da Memê é "O Tarado da Meia-noite", suspense escrito com a minha prima Mari em 97.

O Tatá da Memê - cont.  

Todos haviam ido embora.
Holmes na ambulância do hospício.
Watson e Mary  no carro funerário.
Poirot e Judy  no carro de Poirot.
O engraçado é que haviam pendurado umas latinhas atrás e escrito “Recém casados” em um dos vidros.
Do carro funerário.


Este foi o fim destas personagens que ninguém ousou contar.

*O Tatá da Memê é "O Tarado da Meia-noite", suspense escrito com a minha prima Mari em 97.

O Tatá da Memê - cap. IV  

Holmes passou na casa de Judy para irem para a casa de campo dela. Chovia torrencialmente. A viagem levou cerca de uma hora e meia. A estrada esteve deserta o tempo todo.
Descendo do carro, Judy viu que sua empregada trancava a porta dos fundos e saía.
- E então, Mary, deixou tudo como eu te pedi?
- Sim, senhora. A comida quentinha no forno, o champagne no gelo e a mesa posta em frente à lareira.
- Muito obrigada, Mary. Feliz Natal.
- Feliz Natal, senhora. Oh!, este é Mr. Sherlock Holmes, o senhor que você convidou?
- Sou eu, sim. Feliz Natal, Mary.
- Obrigada, Mr. Holmes. Para o senhor também.
Entrando, colocaram seus sobretudos em um cabide no hall e foram para a sala de estar. Já sentados, Holmes disse que havia deixado seu cachimbo no sobretudo, e iria buscá-lo. Ligou o som, foi, e mais tarde voltou fumando.
Foram até a cozinha esquentar a ceia e ficaram lá conversando um pouco. Ela disse:
- Holmes... o homem disse que me mataria na noite de Natal. Ainda bem que estou com você - e se aproximou dele. Ficaram cara à cara. Ficaram alguns segundos daquele jeito, enquanto Holmes ia envolvendo-a em seus braços. Deram um beijo, que Holmes muito ansiava, ali mesmo.
Levaram a comida para uma mesinha para dois em frente à lareira, acenderam as velas, encheram as taças e começaram a cear. De tempo em tempo davam - se as mãos, e o clima era de puro romance.
Depois da ceia, Holmes foi levando Judy para o quarto. Ela sorria para ele, mexendo as mãos dentro do casaco.
Entrando em um quarto qualquer, Judy empurrou Holmes em cima da cama. Ele já estava todo feliz, despindo-se, quando ela tirou uma arma de seu casaco.
- Paradinho aí, Sherlock Holmes...
Holmes arregalou os olhos, pasmo.
- O que é isso, Judy, querida... você enlouqueceu? - ela podia estar brincando - abaixe esta arma, vamos conversar... por que você está fazendo isto? Você está brincando, certo?
- Errado, Holmes. Não se mexa ou eu atiro.
Ouviram barulho de um carro chegando.
- Graças a Deus, sua louca. Alguém veio me socorrer, estou salvo.
Ela só deu um sorrisinho irônico, sem desviar a arma do corpo do detetive.
Transcorreram-se alguns instantes até que Watson entrou no quarto, com uma arma na mão.
- Oh, Watson... graças a Deus você está aqui. Não sei o que esta louca faria comigo se você não viesse me salvar!
- Temo que você esteja errado, não vim te salvar.
- Meu Deus, será que eu sou o único que está em boas condições mentais aqui?
- Não é só você não, Mr. Holmes - quem respondeu foi um gorducho que entrava no quarto.
- Monsieur Poirot!!
Ele continuou:
- Todos aqui estamos em condições mentais o suficiente para saber que você é o homem que procuramos: acusado de matar nove mulheres depois de ter tido relações com elas. - e virando-se para Judy - sua ajuda foi de fundamental importância para nós, Miss Lamber. Sem a sua ajuda, dificilmente pegaríamos este maníaco.
- Hahahá!!! Eu sabia que isso havia de acontecer!! - gritava Holmes - Hahahá!!! Eu devia ter parado na nona mulher! Mas dez mulheres era minha meta! Dez mulheres!! Eu tinha que conseguir! O plano era perfeito, temos que reconhecer! Eu encenei tão bem estar preocupado com o seu caso, Judy... Tinha apenas um problema! Nunca passou pela minha cabeça que alguém pudesse contratar algum outro detetive! EU sou o melhor, meu plano era ótimo! E teria dado certo, Poirot, se não fosse você e esse seu cãozinho, digo, Watson!! Judy tinha que se apaixonar por mim!! Todos deviam me contemplar! Hahahá... Há... eu sempre fui o melhor, vocês não podiam me pegar! Tiveram foi sorte... Eu deveria continuar invicto! Invicto! Hahahá... Invicto...
- Não seja tolo, Holmes. Mais cedo ou mais tarde, minha empregada, Mary, iria te denunciar, caso eu aparecesse morta.
Holmes soltou uma imensa gargalhada.
- Denunciado? Agora me lembrei... Minha meta foi atingida! Mary foi a décima! Hahahá... Eu sou o maior!! Matei dez mulheres! Eu nunca falho!!!
Judy abraçou Watson e começou a chorar em seu ombro.
- Mary foi morta? Oh, John - o primeiro nome de Watson era John - não é possível... Mary, não...
Watson a abraçou também e começou a alisar seus longos cabelos lindos e loiros.
- Tire as mãos dela!- gritou Holmes, puxando-a.
- Tire as mãos de mim você, Holmes!! John e eu estamos namorando!
- Jááá??? Mas você não perde tempo, hein? Lembra quando eu disse que você era meiga?!? Eu estava querendo dizer que você é “meigalinha”, sua vagabunda!! Acabou de me beijar!!!
Watson fulminou-a.
- Não, calma, tudo parte do plano! Tudo parte do plano!
- Sei...- disse Watson, meio duvidoso.
- “Sei...” Você não sabe nada, não, anta! Além de nada, ninguém, além de um zero à esquerda, insignificante, um porcaria, uma baratinha, além de um chiclete - apesar de não ter sido inventado - na sola do meu sapato, além de tudo isso, você ainda quer ser corno?
Watson pega a arma e mira para Holmes. Watson começa a apertar vagarosamente o gatilho. Um tiro. Judy grita. O lustre cai perto de Holmes. Poirot havia batido em seu braço, desviando o tiro para o teto.
- Vê, Watson? Já ia fazer uma besteira!! - gritava Holmes - Agora prove que você não é tão é tão burro! Atire em mim! Prove pra essa sua prostitutazinha que você é homem! Atire!
Tomado por uma tremenda cólera, Watson aperta o gatilho. O momento de tensão que antecede todos os crimes se passou naquele quarto.
Clic.
- Clic??? - disse Watson olhando para a arma - clic?
- Tá vendo, seu asno??? Já ia me matar!!
- Tá vendo, seu burro? Já ia pra cadeia!! Preso, você não pode fazer parceria comigo!!
- Eu não vou fazer parceria com você, Poirot! Eu vou me casar!!
- Oh, meu idiotazinho... E vamos ser felizes para sempre???
- Que mané vamos, o quê, Judy?!? Eu vou me casar com outra mulher! Sherlock me convenceu que você não presta!! Vou me casar com Mary!
Pegou a arma das mãos de Judy. Ela e Poirot se jogaram no chão. Um tiro. Watson estava morto.
Os segundos que se sucederam ali pareceram séculos. Aquele homem inteligente, ou melhor, bondoso, estava caído no chão, e o sangue lhe brotava das têmporas. Judy jogou-se sobre ele, sacudindo-o pelos ombros.
- Não vá, eu te amo!!! Não vá!!
Judy e Poirot não podiam acreditar. Seus pensamentos foram interrompidos por uma estridente gargalhada. Era Holmes.
- Que foi? Qual o motivo de tanta graça? Seu companheiro de tantos anos está morto...
- Hahahá... É que ele... - Holmes não parava de rir - ele... Ele nem chegou a conhecer Mary... Hahahá... Como era burro...
- Nossa, é mesmo!!- disse Judy jogando Watson no chão.
Poirot apenas olhou para cima, como quem diz: “Dê-me paciência, Bon Dieu”, entregou sua arma para Judy e foi telefonar para o hospício.

* O Tatá da Memê é "O Tarado da Meia-noite", suspense escrito com a minha prima Mari em 97.

O Tatá da Memê - cont.  

Mais um dia comum sem maiores novidades. Watson e Holmes almoçaram juntos em casa.
- E então, Watson, onde você vai passar o Natal?
- Resolvi ceder este dia para a caridade. Vou para a creche Santa Maria me vestir de Papai Noel.
- Pelo visto suas corridas não adiantaram nada, né?
Os dois riram.
- E você, Holmes, onde vai passar seu Natal?
- ...
- Holmes?
- ...
- Psiu!
- Oh, me desculpe, Watson. Eu estava prestando atenção no meu nariz - disse ele, vesgo.
Eles riram novamente.
- Você está feliz hoje, não? O que está acontecendo?
- Nada!
Mais risadas.
- Afinal, onde você vai passar o seu Natal, criatura!?
- Hum... nem te conto...
Watson não insistiu.

Então chega a noite de Natal.

*O Tatá da Memê é "O Tarado da Meia-noite", suspense escrito com a minha prima Mari em 97.

O Tatá da Memê - cont.  

À noite, em casa, Holmes teve pela primeira vez mais tempo para conversar com Watson.
- Por que você tem andado tão sumido? - perguntou servindo chá para o companheiro.
- Tenho tentado me ocupar com alguma coisa, já que você anda tão entretido com este novo caso que não temos feito nada juntos!
- Judy é uma mulher absolutamente fantástica.... linda, inteligente, romântica... mas o que você tem feito?
- Ah, só passeado....
- Neste frio?
- Tenho andado por aí, patinado...
- Ah tá bom, viu? Fingirei que acredito... quem olha para você, pode jurar que você está parado há muito tempo, viu?
- O que você quis dizer com isso?
“Ele não havia ficado mais inteligente”.
- Nada, nada... mas... você tem certeza que só tem passeado?
- Não Holmes.... agora que você falou eu não tenho certeza, vou ter que pensar. Posso te responder amanhã?- disse isso rindo ao sair da sala, dirigindo-se ao seu quarto.
“Muito espertinho pro meu gosto...”


*O Tatá da Memê é "O Tarado da Meia-noite", suspense escrito com a minha prima Mari em 97.

O Tatá da Memê - cont.  

Watson estava almoçando com Poirot no restaurante Taurus. Watson já estava a par de todos os planos do detetive. Agora conversavam amigavelmente. Poirot narrava seus mais incríveis casos, como o do Expresso do Oriente, que certamente fora o mais fantástico. Watson ouvia maravilhado.
Assim passaram-se duas semanas. O homem que ligava para Judy, somente quando ela estava sozinha em casa, continuou ligando, e provando que sabia de sua (de Judy) vida mais do que o que ela esperava. Watson continuava a se encontrar às escuras com Poirot. Holmes, em relação a isso, pensou: “Ainda bem que ele arrumou alguma outra coisa para fazer, ele me atrapalha menos assim”.  Ele iria perguntar alguma coisa a respeito mais tarde, para que Watson não viesse com aquela ribeirada* novamente.
Holmes não resolvia o caso. Judy e ele casualmente saiam para se divertir. O relacionamento entre Holmes e Watson havia melhorado, e Watson se mostrava, para surpresa de Holmes, bastante interessado no caso que o detetive estava tentado resolver, fazendo bastante perguntas. Algumas até surpreendiam Holmes, que achava que Watson estava ficando inteligente.
Fazia cada vez mais frio, faltava uma semana para o Natal. Holmes e Judy tomavam o chá das cinco na casa dela. Estavam conversando sobre banalidades, até que surgiu o convite, vindo da parte de detetive:
- Olha, Judy... queria te fazer um pedido.
Ela olhou sorrindo.
- Eu acho que a gente poderia passar o Natal juntos. Tenho um presentão para você.
- Oba!! E o que é?
- Uma surpresa como você nunca teve igual.
- Holmes...
- O que foi?
- Este vai ser o Natal mais especial de toda minha vida!!!
- Que bom...!
Olharam-se com ternura. Alguma coisa estava acontecendo entre os dois.
Judy:
- E onde nós vamos passar a noite da véspera?
- O que você acha?
- Em uma festa no clube Dubosc? 
- Acho muito agitado. Judy, eu queria passar o Natal com você à sós.
Ela sorriu para ele.
- Tive uma idéia. Que tal minha casa de campo em Willard?
- Lá é tranqüilo?
- Tranqüilo como um grilo*...

*
1-ribeirada: drama, escândalo, choro. Origem: família de Irene Ribeiro, matriarca da família Siqueira, que era muito exagerada e escandalosa
2- tranqüilo como um grilo: muito tranqüilo

*O Tatá da Memê é "O Tarado da Meia-noite", suspense escrito com a minha prima Mari em 97.

O Tatá da Memê - Capítulo III  

Holmes acordou cedo. Tomou seu café sozinho e saiu. Estava muito frio. A neve cobria telhados, provocava complicações no trânsito.
Foi à Embaixada da África do Sul, onde foi muito bem atendido, afinal, era  uma autoridade. Fez perguntas, pegou uns papéis que queria.
Foi na prefeitura e pegou mais algumas informações. Comprou umas revistas, e foi para a biblioteca olhar uns jornais velhos. Passou mais tarde, como de costume, na tabacaria e foi finalmente para casa deixar toda aquela papelada. Saiu para almoçar. Watson não estava.
De volta do almoço, resolveu ligar para Miss Lamber. Chamou-a para estudar com ele tudo o que havia pegado.
Em meia hora ela estava lá, linda, muitíssimo bem vestida. Holmes explicou o que havia feito aquela manhã e colocou uma lista telefônica sobre sua escrivaninha, além da papelada. Passou os olhos pelos papéis que havia pegado na Embaixada e na Prefeitura, anotando números sua agenda. Anotou também um outro que retirara da lista telefônica.
Era hora de ligar para todos aqueles lugares. Minutos depois, falava:
- Por favor, Mr. Ferrington.
- Sinto muito, Mr. Ferrington está na América do Sul com a esposa, em férias.
- Há quanto tempo ele partiu?
- Há mais ou menos um mês. Está na casa de seu primo Pablo. Quem está falando?
- Um velho amigo. Bem, deixe pra lá. Obrigado.
Virando-se para Judy:
- Podemos descartá-lo dos suspeitos, certo?
- Sim, podemos.
- Agora vamos ligar para Henry Armstrong. Quem fala, eu ou você?
- Eu. Invento uma desculpa qualquer.
No telefone:
- Henry?
- Sim, quem é?
- Sou eu, Judy.
- Oh, Judy...  que surpresa!
- Pois é. Liguei para te fazer uma pergunta.
- ...
- Você está com aquela foto na qual estamos minha mãe e eu no Egito?
- Eu não!
- Ah certo. Estou atrás daquela foto. Obrigada, de qualquer forma.
- Tudo bem.
Desligaram. Holmes:
- Ele tem boas condições financeiras?
- Sim.
- Então não podemos descartá-lo. Afinal, ligações todos os dias de New Castle não saem baratas...Pela voz, você acha que é?
- Não sei... acho que não.
- Agora vamos ligar para MacQueen.
- Tudo bem. Mas com ele eu prefiro que fale você.
- Certo.
Uma voz de mulher:
- Residência dos MacQueen.
- Robert, por favor.
- Mr. MacQueen está trabalhando.
- E qual o número de lá?
- Não tenho permissão para dar-lhe o número.
- Só me responda uma coisa. Mr. MacQueen esteve em Londres durante os últimos dois meses?
- Certamente.
- Obrigado.
Desligou o telefone, e voltando-se para Judy:
- Poderia ser ele?
- Poderia. A voz bate muito bem.
- Além do mais, ele esteve em Londres este tempo todo, e quis voltar com você. Há quanto tempo foi isso?
- Um ano e meio, dois.
- MacQueen é nosso maior suspeito, seguido de Henry Armstrong.
- É...

* O Tatá da Memê é "O Tarado da Meia-noite", suspense escrito com a minha prima Mari em 97.

O Tatá da Memê - cont.  

Holmes já tinha deixado Judy em casa de táxi. Tiveram uma noite ótima, pensava. Passou em uma tabacaria, que ainda estava aberta. Chegou em casa, colocou a chaleira no fogo e sentou-se para ler o jornal.
Watson abriu a porta de repente.
- Você tinha saído, Watson?
- Não, Holmes. Impressão sua.
- Deu para ser irônico agora, é?
- Sabe, Holmes... às vezes eu me pergunto se você nasceu para ser detetive mesmo.
Holmes não deu confiança para as provocações do outro.
- Você já vai se deitar?
- Vou. Por quê?
- Nada.
Uma hora mais tarde, Watson é acordado pelo telefone.
Sherlock havia atendido.
Era Judy.
- Holmes...
Ele se encheu de alegria. Mas tentou não deixar que ela percebesse aquilo.
- Judy... algum problema?
- Sim, Holmes... ele... aquele homem me ligou de novo!
- Mas não é possível... a que horas ele ligou?
- Já era 1:00 da madrugada!!
- Que estranho, Judy...
- Mas o pior não é isso...
- E...?
- Ele...
Ela havia começado a chorar.
- Se acalme, queri... Judy. Me conte devagar, respire fundo.
- Tudo bem. Ele falou que tinha tentado me ligar, mas eu não estava.
Holmes não disse nada.
- Ele disse: “Agora você está saindo com aquele detetive, Sherlock Holmes, é?”
- Mas Judy... não é possível! Ele está te seguindo!
- Só pode ser isso.
- Você tem quer ficar atenta, não sair sozinha mais.  Isso pode terminar mal. Ele falou mais alguma coisa?
- Ele falou que o karaoquê Kensington é muito bom, fiz uma boa escolha ao ir lá.

* O Tatá da Memê é "O Tarado da Meia-noite", suspense escrito com a minha prima Mari em 97.

O Tatá da Memê - cont.  

No karaoquê, Holmes havia se soltado. Sabia cantar quase todas as músicas, para surpresa de Judy, que se divertia terrivelmente.
Até que o detetive subiu ao palco para cantar uma música de um cantor novo, Johel. Holmes se apoderou de uma voz totalmente diferente, e batia palmas. Era um grande cantor. “Mais uma qualidade... será que ele é perfeito? Exceto por sua aparência, é claro.” pensava Judy.
Com a música terminada, ele se sentou, sendo bastante aplaudido por todos. Judy estava maravilhada.
O homem não havia ligado até então.

* O Tatá da Memê é "O Tarado da Meia-noite", suspense escrito com a minha prima Mari em 97.

TM - cont.  

Uma mulher simples abriu a porta e disse que Poirot já o esperava. Enquanto ela conduzia Watson pela casa, ele notou que a casa era muito limpa, simples. Olhando mais detalhadamente, percebeu que era tudo absolutamente simétrico. Poirot devia ser uma pessoa muito metódica, como chegou a constatar mais tarde.
A mulher abriu uma porta que dava para o escritório do patrão. Watson estava, agora, cara a cara, com ninguém menos que Hercule Poirot.
Ele era uma simpatia. Foi muito cordial e cumprimentando alegremente o recém chegado, indicou-lhe uma cadeira.  Ofereceu um drink a Watson, mas bebidas, àquela hora, dobravam seu estômago.
- Eh bien, mon ami. Vamos direto ao ponto. Em que posso ajudá-lo?
- É uma longa história.
- Então não perca tempo e conte-me!
Como era alegre o Monsieur Poirot!
Watson fez um resumo de tudo aquilo que sentia. Tudo aquilo que havia pensado antes de sair de casa, deitado em sua cama. Poirot se mostrou muito compreensivo, embora Watson soubesse, não era nada sentimentalista. Ele explicou que queria se distanciar de Holmes, mas deixar a vida com os crimes de lado, seria uma pena. Antes mesmo que ele pedisse, para surpresa de Watson, Poirot ofereceu trabalho junto dele.
- Mas Monsieur Poirot!! Isso é fantástico!!! Mal posso acreditar...
- Mas nós vamos ter que compartilhar de um segredo. Por enquanto, só nós dois saberemos disso, mas se eu estiver certo... bem, o negócio é o seguinte...
Poirot contou para Watson de seus planos por muito tempo. 

* O tatá blablablá (com pressa, leia no post anterior)

O Tatá da memê - Capítulo II  

Já deitado, Watson repassava mentalmente tudo que havia acontecido durante o dia anterior, e durante o dia que antecedeu-se àquele também. Sua explosão contando tudo que sentia a Holmes, O descaso do detetive para com ele no Kensington, sua bebedeira... pensou na sua vida toda. Ele, como dissera naquele dia, era totalmente insignificante, do ponto de vista de Sherlock. E o pior era que, bem sutilmente, o detetive fazia questão de afirmar aquilo a toda hora. Talvez Holmes nem percebesse que fazia aquilo. Será que valia a pena continuar daquele jeito? Há alguns minutos atrás Holmes tinha ido para a casa daquela moça, Judy. Depois daquilo, iriam a um karaoquê. O detetive parecia muito mais alegre, totalmente absorto. Nem reparou na amargura que ele sentia. Talvez fosse hora de se mudar, deixar Holmes viver sua vida. Ele queria ser importante para alguém. Ficou inquieto. Foi para a sala de estar, tentar se distrair, pensar em outra coisa. Mas era difícil. Lia a revista People. Tanta gente bem sucedida, rica, bonita, alegre. Hercule Poirot. Aquele, sim, era um detetive que aproveitava sua vida, era alegre, descontraído. Uma ou duas vezes estivera com ele, não estava bem certo. Era com ele que gostaria de trabalhar. Era uma boa!! De repente teve uma idéia brilhante. Foi até o quarto de Holmes. Voltou com um caderninho nas mãos. Procurou alguma coisa no caderninho. Pegou o telefone e discou um número qualquer.
- Por obséquio,  Monsieur Hercule Poirot?
Uma mulher:
- Quem gostaria?
- Diga que é Mr. Watson.
- Um momento.
Watson se espantou. Como ousara fazer aquilo?
A mesma mulher:
- Mr. Poirot pediu alguma referência. Não se lembra no momento de quem se trata.
Watson sentiu um peso no coração.
- Diga que sou amigo de Sherlock Holmes...
- Uau! Você conhece Mr. Holmes? Ele é o máximo!
- Oh, claro!! Eu que o ajudei no caso das virgens desaparecidas!! Se não fosse por mim...
- Sim, sim, um momento.
Sua história não havia colado.
Esperou alguns instantes.
- Alô?
Watson se encheu de coragem.
- Alo! Monsieur  Poirot?
- Sim, sim. Mr. Watson, certo? Posso ajudá-lo em alguma coisa, mon ami?
- Na verdade, sim. Uma coisa muito delicada, você sabe.
- Hum... seja mais claro.
- Será que eu poderia ir até aí?
- Pode ser hoje.
- Será que poderia ser agora?
- Não vejo nenhum inconveniente.
- Ótimo, estarei aí em pouco tempo.
- Certo, adieu!
Ele havia se saído melhor do que pensara. Pôs seu sobretudo  e pegou um táxi. Estava agora batendo na porta de Hercule Poirot.

* O Tatá da Memê é "O Tarado da Meia-noite", suspense escrito com a minha prima Mari em 97.

O Tatá da Memê - cont.  

O mordomo da mansão de Miss Lamber o conduziu até ela, que estava na sala de estar, bebendo em frente à lareira.
- Miss Lamber?
- Mr. Holmes...!
Eles se cumprimentaram cordialmente e ela o convidou para se sentar. Dois telefones estavam em uma mesinha ao lado do sofá. Holmes tentou puxar um assunto qualquer, mas a mulher estava visivelmente tensa. Uma situação um tanto constrangedora se passou, um silêncio mortal. Ambos se mostraram ansiosos. O tempo foi passando. Holmes começou a pensar... até que o telefone tocou. A mulher atendeu ao telefone e Holmes pegou na extensão. Um barulho de algo quebrando. Holmes acorda num pulo. Estivera dormindo. Judy não deixou de rir disfarçadamente, percebendo que o detetive enxugava o queixo: ele havia dormido de boca aberta. Holmes tirou seu relógio do bolso e viu que já eram 11:45.
- É, acho que hoje ele não liga.
- Concordo. E então, vamos combinar amanhã?
- No mesmo horário.
- Hum... é que...
Se calou.
- Pode dizer, Miss Lamber.
- Oh não, me chame de Judy.
- O que você quer me dizer?
Judy respirou fundo.
- Acho que, talvez, se desse, a gente podia... bem, a gente podia ir à um cara...
- A sim, à um cara que grampeia telefones? Acho uma boa idéia, pena que ainda não inventaram isso ainda...
- É, eu também acho uma boa idéia, mas... bem, eu acho que a gente poderia ir à um karaoquê. Uma boa diversão, não acha?
Holmes fez uma expressão duvidosa. Como bom inglês que era, não era muito adepto a este tipo de coisa. Mas... iria se render! Miss Lamber não era uma mulher qualquer. Era bonita, inteligente. Holmes já havia se informado sobre a  mulher. Ela era americana, muito rica. Ficou sabendo que sua família era dona das redes Kensington. Ela ainda não havia contado isso a ele.
- Então amanhã, depois da minha “visita”, vamos ao karaoquê Kensington.
- Combinado!- disse ela, sorrindo.
Despediram-se e Holmes foi embora, encantado.

*O Tatá da Memê é "O Tarado da Meia-noite", suspense escrito com a minha prima Mari em 97.

Uma observação sobre o Tatá da Memê  

Tava lendo o livro esses dias antes de publicar e o achei bem ruinzinho. Eu não o lia desde 2003 eu acho; e na época o achei divertido. É aí que a gente percebe que envelheceu e ficou mais exigente quanto às próprias produções literárias (hihihihi, como se eu produzisse muita literatura, né?)

Então, mantenhamos em mente que o escrevi há um tempão, e até q pra uma menina de 13 anos tá bom.

Estou me segurando pra não contar as novidades, mas vou esperar mais um tempo porque quero aparecer com tudo de uma vez.

Espero q gostem do Tatá, porque é tudo que vão ler por aqui no próximo mês.

O Tatá da memê - cont.  

Em casa, Holmes percebeu que Watson ainda não havia voltado. Eram mais ou menos 10:00PM, e Holmes resolveu terminar a leitura de sua revista, deixando a chaleira no fogão. Fazia muito frio, e o detetive planejava deitar mais cedo.
Foi acordado de madrugada pelo companheiro, que, bêbado, ia  trombando em tudo e caindo pelos cantos. Falava de uma maneira confusa. Holmes deu um banho frio em Watson, vestiu-o e voltou para a cama, mas teve insônia.  Watson também estava deitado.
No dia seguinte Watson não foi para sua caminhada, dormiu bastante, e acordou envergonhado. Sherlock o consolou dizendo que aquilo acontecia com todos, cedo ou tarde. Apenas o alertou para que não fizesse aquilo mais quando estivesse sozinho, ou poderia se dar mal.  
Durante o dia os dois se absorveram em atividades simples e não saíram de casa. Às 10:00PM Holmes estava pronto para ir à casa de Miss Lamber. O companheiro notou que o detetive havia se produzido mais que o de costume. Não que ele fosse desleixado, longe disso. Mas Watson notou algo diferente em Holmes, um brilho diferente em seus olhos. Holmes chamou Watson para ir também, mas este alegou não estar bem disposto.

*O Tatá da Memê é "O Tarado da Meia-noite", suspense escrito com a minha prima Mari em 97.

Tatá da Memê - continuação  

Chegando ao restaurante, os dois distintos cavalheiros pediram as reservas no nome de Sherlock Holmes. Enquanto o maitrê verificava as reservas, Watson perguntou:
- É homem ou mulher?
- O quê??
- A pessoa que te escreveu a carta, você acha que é homem ou mulher?
- Elementar, meu caro Watson. É uma mulher. Se fosse um homem, ele deixaria as reservas em seu nome, e não no meu!!
O maitrê informou que uma senhorita já o esperava, e pediu desculpas - a reserva era apenas para o detetive, e infelizmente pessoas que não tivessem feito a reserva com pelo menos quatro horas de antecedência não poderiam jantar ali.
Watson, com seu orgulho ferido, ia dizer algo para Holmes, como “Não se preocupe, ficarei bem, sozinho, comendo algumas panquecas que estão na geladeira...”, mas quando levantou seu rosto para dizer isto, viu que Holmes já estava sentado com uma mulher loira e alta, exuberante. Muito satisfeito, pelo visto. Pegou um táxi para um pub  onde iria encher a cara. Pensava: “mais um caso para nós, sei...”.
No restaurante, a mulher se apresentava. Aparentava ser uma mulher muito frágil, daquelas do tipo “rica, bonita e infeliz”. Chamava-se Judy Lamber. Conversaram um pouco sobre a comida daquele restaurante e o tempo, até que Holmes levou a conversa para o assunto principal, perguntando qual era o problema. A mulher alegou que o assunto era constrangedor para se falar assim, com um homem que acabara de conhecer, mas, afinal, era para isso que ambos estavam lá. Holmes percebeu que a mulher era um tanto afetada. Ele disse para ela que não se envergonhasse, na profissão dele ele já ouvira e vira das coisas mais horríveis e absurdas. Ela começou:
- Bem... já faz um tempo que eu ando recebendo certas ameaças...
O detetive percebeu quais eram as ameaças, mas deixou a mulher terminar.
- Por telefone... um homem - seus olhos se encheram   d’água - ele diz coisas horríveis. Ele quer me matar, diz ele.
- E o motivo?
- Ele não deixa muito claro... mas cá entre nós - ela se aproximou do detetive - eu acho que ele é meio tarado...
- Sei, sei... e o que, exatamente, o homem costuma falar?
A mulher começou a gaguejar e chorar.
- Ele quer... quer t... tran..
- Ele quer trancá-la em um quarto?
“Que idéia absurda!”, pensou Judy.
- Ele quer transar comigo e me matar depois.
O detetive não mostrou emoção nem surpresa. Aquele era seu trabalho, e ele encarava tudo da maneira mais profissional possível.
- Calma, acontece.
- Acontece o quê?- perguntou surpresa.
- Acontece dos homens terem relações com as mulheres e matarem-nas depois.
Judy chorou mais.
- Não, calma... Não foi isso que quis dizer... É...
A pobre mulher pediu licença para ir ao toalete, e Holmes ficou ensaiando uma resposta mais consoladora. Afinal, era detetive, mas também tinha coração (apesar de pequeno).

A senhorita Lamber voltou do toalete, mais recomposta, havia parado de chorar. Holmes tentou dar uma explicação, mas ela o interrompeu:
- Encaremos a realidade, senhor Holmes. Isso pode acontecer com outras pessoas, mas estamos aqui para que não aconteça comigo. O senhor vai me ajudar??
- É claro. Não nego ajuda para uma mulher em perigo.
Judy abriu um sorriso, mostrando os lindos dentes, e atraindo, também, um sorriso de Holmes.
- Isso me conforta bastante.
Após alguns segundos de bobeira, Holmes voltou a si e tirou o sorriso de seu rosto, pigarreando.
- A que horas ele costuma ligar?
- Bem, entre onze horas e meia-noite.
- Alguma coisa a faz crer que ele liga sempre do mesmo lugar?
- Não posso afirmar o contrário...
- Ele liga todos os dias?
- Praticamente.
- Você desconfia de alguém?
- Já pensei em meu ex-marido, alguns de meus ex-namorados.
- Me conte um pouco sobre sua relação com eles - como foi e como é agora.
- Certo. Eu e dois de meus ex-namorados terminamos porque eu nunca concordei com a conduta machista e durona deles. Queriam ter total controle sobre mim, coisa que eu nunca deixei. Com um deles, Rubens Ferrington, cheguei a ter o casamento marcado. Mas dois meses antes resolvi que não poderia ser feliz ao lado dele. Ficou furiosíssimo, e jurou que aquilo não iria ficar assim. Acontece que ele se apaixonou por outra, casou-se e foi com a mulher morar na África do Sul. O outro, Henry Armstrong, além querer mandar em mim, era muito mulherengo.
- E com o seu ex-marido... por que vocês se separaram?
- Ah... isso foi idéia dele. Estava tudo bem no nosso casamento, até que um dia, ele apareceu dizendo que estava tudo acabado. Ele tinha se apaixonado por uma outra mulher. Eles foram morar na terra natal dele, Escócia.  Mas ela foi assassinada, e o caso foi arquivado por falta de provas. Mais tarde meu ex-marido reapareceu, dizendo que queria voltar, que eu era a mulher da vida dele. Eu, embora o amasse, não aceitei.
- Bastante suspeitos. Como se chama seu ex-marido?
- Robert MacQueen.
- Onde ele está hoje em dia?
- Aqui mesmo, em Londres. Está morando em Campbelltown.
- É um bom bairro. Há alguma chance do seu ex-namorado, Rubens Ferrington, ter voltado da África do Sul?
- Pelo que sei, não.
- E Henry Armstrong, qual foi o fim que tomou?
- Está morando em New Castle.
- Certo. Há mais algum de seus outros ex-namorados, caso você tenha se relacionado com mais alguém, que queira citar?
- Tive outros relacionamentos, mas nenhum que valha a pena contar.
- Você é tão meiga...
Ela sorriu:
- Ora, que isso... obrigada!
- Desde quando você recebe essas ameaças?
- Há uns dois meses...
- E por que não me comunicou antes?
- No início eu pensava que fosse apenas um trote, embora ficasse um pouco receosa...  Mas, depois, ele falou meu endereço, e me -
- ...te descreveu e ameaçou te visitar.
Judy ficou assustadíssima.
- Como você sabe?
- Elementar, minha cara. Todos os casos como este que eu investiguei eram a mesma coisa. Não é a primeira vez que isso acontece, isso eu te asseguro. Ainda bem que você me chamou a tempo, pois em todos os outros casos...
- O que aconteceu?
- As mulheres morreram.
- Oh! E como você vai me ajudar?
- Você vai fazer alguma coisa inadiável amanhã à noite?
- O que você está planejando?
- Haveria algum inconveniente se eu fosse à sua casa escutar o telefonema amanhã? Caso ele ligue, é claro.
- Oh não, senhor Holmes. Faço qualquer coisa para me manter em segurança.
- Então está combinado. Amanhã às 10:30PM irei à sua casa.
- Tudo bem.
Holmes fez um sinal para o garçom, pedindo a conta.

*O Tatá da Memê é "O Tarado da Maia-noite", suspense escrito com minha prima Mari em 97.

O Tatá da Memê - capítulo 1  

Sentado em sua poltrona, Holmes lia a revista People quando foi interrompido por Watson que, chegando de sua caminhada matinal, tinha em suas mãos a correspondência.
- Holmes, a correspondência.
- Separe o que é para mim.
Watson entregou todas as cartas para o detetive e dirigiu-se à mesa, cabisbaixo. Holmes, notando leve frustração em seu companheiro, perguntou-lhe qual era o problema.
- Esse é o problema, Holmes - indignou-se Watson - tudo é para você. Todas as cartas, as visitas, os telefonemas, tudo!!! Eu não passo de um zero à esquerda! Quem mora nesta casa? Sherlock Holmes, o famoso detetive - disse ele, em um tom irônico - Watson não é nada, ninguém!!! EU não existo, sou um mero espectador deste palco onde você é o personagem principal, e os crimes que ocorrem em Londres, o enredo.
- Deixe de drama, amigo. Esqueça isso e concentre-se em nossa ida ao restaurante Kensington, esta tarde. Parece que há mais um mistério para nós.
E voltando à leitura da revista, que, aliás, apresentava uma matéria sobre o detetive belga Hercule Poirot, deixou a carta sobre a mesa ao seu lado.
Watson, não podendo conter a sua curiosidade, fingiu procurar uma revista sob aquela mesa enquanto lia a carta:
 
“Caro Sherlock Holmes,
preciso urgentemente de seus serviços. Por favor, me encontre no restaurante Kensington às 7:00PM onde há uma reserva para nós em seu nome.
J. K. Lamber”

Holmes, percebendo o interesse de Watson na carta, pediu que o amigo fosse comprar tabaco para o seu cachimbo. Watson ainda quis questionar, mas o olhar que Holmes deu em resposta o fez pensar: “Ih... já vi que se eu não for, vai sobrar para mim...” E foi.
Dobrou a esquina da Baker St. resmungando e tamanha era a fúria com a qual fazia isso que chamava a atenção de todos os passantes, num ato verdadeiramente ridículo. Lembrou-se que havia esquecido o dinheiro, e deu meia volta para ir pegá-lo.
Nisso, uma pobre senhora pobre passou pedindo esmolas:
- Dinheiro, senhor?
- Aceito.
A mulher deu uma longa gargalhada. Watson, atônito, e sem perceber o motivo de tanta risada, começou a rir também, afinal, não queria se passar por idiota. A velha riu por mais uns instantes e, girando o dedo indicador ao lado do ouvido murmurou: “Eu, hein... é louco!”, e saiu. O infeliz continuou rindo agora imitando o gesto que a mulher acabara de fazer à sua frente. Tomado por uma onda de bom humor voltou cantarolando.
Abrindo a porta de casa, deparou-se com o amigo no telefone, que, assustado com a volta do que não foi, desligou dizendo: “Sinto muito, aqui não é um consultório médico...”.
- O que foi? Esqueceu alguma coisa?
- O dinheiro.
- “O dinheiro...” No lugar de sempre, oras - Watson percebeu irritação na voz do outro - que pergunta cretina!
- Tá, tá... quem era no telefone?
- O que te parece? Era UM ENGANO!! Ou te falta inteligência ou você é surdo.
- Mas eu não sou surdo...

*O Tatá da Memê é "O Tarado da Meia-noite", suspense escrito com a minha prima Mari em 97.

Cabou-se o que era doce  

Setembro acabou, e assim sendo todos os convidados do mês foram despejados já.

Vou só introduzir o mês de outubro de novo, já que o último post ficou muito grande e talvez algumas pessoas não tenham chegado no fim

"Porque, pra dizer a verdade, eu já escrevi um romance.
Hoje quando analiso, acho que está mais pra conto, tem tipo umas 20 páginas só. Eu escrevi em 97, com a minha prima, a Mari. É antigo, mas bem divertidinho. Quem entra aqui com alguma freqüência vai reconhecer o meu senso de humor e a formação do meu estilo de escrita. E tem aqueles erros que só a ingenuidade proporciona, tais quais achar que colocar telefones em todas as casas da Londres do séc. XIX não tem importância (oh, yeah, baby, meu livro se passa em Londres no final do séc. XIX. Chiquérrima, a Biazinha).

(...)em outubro com o prólogo de "O Tarado da Meia-noite", vulgo "O Tatá da Memê - por Bia Lobo e Mari Mello. Estrelando: Sherlock Holmes e Hercule Poirot. Participação especial: Judy Lamber e John Watson". Sim, era o que estava escrito na capa, hihihihihihihi. Inda juntei Conan Doyle com Agatha Christie =P"

Mas hoje fui dar uma olhada e descobri que o livro não tem um prólogo, ele já começa no capítulo 1. Então, aí vai. Capítulo 1.